72 anos de ONU: que desafios há pela frente?

Por ocasião do aniversário, António Guterres fez um vídeo onde diz que o mundo tem os recursos para vencer os conflitos actuais, precisa é de "vontade política para o fazer".

O aumento dos conflitos e das desigualdades, a prevalência de condições meteorológicas extremas e de elevados níveis de intolerância são alguns dos problemas para que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas apela a nossa consciência. No dia em que se comemora o 72º aniversário da ONU, António Guterres gravou um vídeo em que lembra, por exemplo, as ainda constantes ameaças à segurança, incluindo no plano das armas nucleares.

Encriptado na mensagem diplomática vem um pedido político. António Guterres refere que o mundo tem os “instrumentos e recursos para vencer os desafios – precisamos é de vontade política para o fazer”Para o antigo-primeiro ministro português, “os problemas do mundo transcendem fronteiras” e é necessário “transcender diferenças para “transformar o futuro”.

São muitos os nomes e locais marcados por atrocidades que mancham a história recente. Ruanda, Guernica, Babi Yar, Sharpeville, Treblinka, Hiroshima, Halabja, Srebrenica, Aleppo, Iémen, para citar apenas alguns. As memórias daqueles que sofreram são tão dolorosas como longa é a lista e, apesar de depois de cada novo crime contra a humanidade, dizermos sempre “nunca mais”, o elenco é cada vez maior.

O papel da ONU enquanto organização mediadora de conflitos é por isso muitas vezes incompreendido. É fácil prever uma guerra? É fácil actuar sobre ela depois de ter começado? Muitos conflitos parecem ter ocorrido, não porque não conseguimos vê-los chegar – os sinais de exclusão, marginalização, violações dos direitos humanos e desigualdades políticas, sociais e económicas são muito fáceis de ver -, mas porque não conseguimos responder com antecedência ou rapidez suficiente.

Os refugiados, a situação na Síria, no Bangladesh com a minoria Rohingya, o terrorismo e as guerras não resolvidas são alguns dos principais desafios da reforma das Nações Unidas que a eleição de Guterres quer despertar.

As expectativas são elevadas. Mas como disse Kofi Annan, secretário-geral entre 1997 e 2007, em tempos, um secretário geral não tem uma varinha de condão nem é “o feiticeiro de Oz”.

Na altura da tomada de posse, o embaixador do Reino Unido na ONU, disse ao “New York Times” que Guterres poderá ser um secretário-geral “capaz de providenciar autoridade moral e poder de união numa altura em que o mundo está dividido por vários problemas”. E acrescentou: “Se os membros do Conselho de Segurança permitirem, Guterres poderá conseguir restaurar a missão e reputação de uma instituição internacional que ainda tenta encontrar o seu papel num mundo complicado e perigoso”.

Desde o início do ano, morreram 67 pessoas em missões de paz da ONU, das quais 12 na República Central Africana. Por isso, Guterres desloca-se hoje ao país para uma visita de quatro dias para homenagear militares e civis que contribuem para a manutenção da paz. Além dos mortos, o aumento da violência e a deterioração das condições humanitárias levou à duplicação do número de deslocados, que ultrapassa já os 600 mil, e do número de refugiados nos países vizinhos, que ascende a meio milhão de pessoas.

“A minha visita constituirá uma oportunidade para envolver o Governo e outros actores para amenizar o sofrimento das populações, evitar o retrocesso do processo e reforçar o apoio internacional para a paz”, explicou ainda o secretário-geral da ONU.

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