Alguma água na fervura da questão catalã

Carles Puigdemont fez o expectável e o que ninguém imaginava.

Fotografia: Jordi Bedmar
 
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Estas semanas ficarão com certeza marcadas nos manuais de história do futuro num capítulo em que se fale da Catalunha. Os olhos estavam postos na Catalunha depois de alguns anos de luta política silenciosa que culminaram no referendo pela independência do passado dia 1 de Outubro e de todas as consequências que lhe conhecemos. Era pela última consequência de todo este movimento político que se esperava ouvir Carles Puigdemont.

Antes do discurso muitas foram as vozes que apelaram a Puigdemont para que flexibilizasse a sua posição e recuasse com a intenção de declarar unilateralmente a independência da Catalunha. Durante o discurso, o líder do movimento independentista, não recuou e ouviram-se da sua boca as palavras, em todo o caso históricas, “A Catalunha ganhou o direito a ser um estado independente” Também não faltaram duras críticas ao Governo de Rajoy e ao Tribunal Constitucional Espanhol pela forma como estão a líder pelo processo. E se até aqui não havia dúvidas, a surpresa não se fez esperar. Depois do anúncio Puigdemont apelou ao Parlamento Catalão para que suspendesse o processo de independência para que as duas partes voltem ao diálogo.

Fica assim adiado o próximo capítulo na história da Catalunha. No chamado dia D para a região, depois de semanas de conflitos, o aguardado discurso de Carles Puigdemont revela que o governo regional decidiu adiar a declaração de independência para “diminuir a tensão”. Um passo atrás para dar dois à frente? Imprensa estrangeira e especialistas reagem com dúvidas às declarações do Presidente, dizendo que não é clara a intenção das suas palavras. Para os pro-independentistas foi uma declaração apluadida. Nas ruas de Barcelona, os milhares que assistiram dizem que foi um discurso de Estado, no qual Puigdemont defendeu os melhores interesses da Catalunha, mas afirmam que já se sentem com um pé na nova república.

Até agora, ambas as partes dizem estar dispostas ao diálogo, mas as pré-condições que ambos propõem tornam-no impossível e a situação tensa que se criou leva a crer que não será este discurso a desbloqueá-lo. Dentro do próprio Parlamento Catalão, até ao fim da sessão, ainda houve tempo para conhecer algumas reações, nomeadamente da CUP (Candidatura de Unidade Popular) que favorável à independência já mostrou o seu descontentamento. Do lado do Governo central espanhol e segundo reporta a agência noticiosa Efe toda a sequência de acontecimentos protagonizada por Carles Puigdemont é “inadmissível”.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!