Começa mais uma semana decisiva na Catalunha

Esta semana esperam-se mais desenvolvimentos significativos no processo que se vai pessoalizando nas figuras de Rajoy e Carles Puigdemont.

Catalunha

O ritmo dos acontecimentos não nos permite estar muitos dias sem um olhar profundo e com alguma dedicação à Catalunha. Desde dia 1 de Outubro que todos os passos contam sem percebermos ainda em que direção. Depois de na sexta feira passada o até então Governo autónomo Catalão ter declarado unilateralmente a independência do estado Espanhol, tudo o que se previa e prenunciava pelos media confirmou-se, com a aplicação do artigo 155, e esta semana esperam-se mais desenvolvimentos significativos no processo que se vai pessoalizando nas figuras de Rajoy e Carles Puigdemont.

O fim de semana ficou marcado por demonstrações casuais de apoio à causa independentista e por manifestações com toada de celebração e a frase chave “Visca la Republica Catalana” mas não foi só a facção separatista deste movimento que se fez ouvir. Ontem, 29 de Outubro, uma manifestação pela união invadiu o centro da cidade de Barcelona, registando uma adesão, segundo a polícia e a imprensa, na ordem das 300 mil pessoas.

Também do ponto de vista legal, chamemos-lhe assim, foi um fim de semana bem agitado. Depois da declaração unilateral da independência, o Governo de Madrid acionou conforme se esperava o artigo 155 da constituição Espanhola, o que tira a autonomia do Governo Catalão e determina o afastamento de Puigdemont.

Assim, a dúvida hoje e durante esta semana recai sobre a reação dos independentistas a esta imposição legal bem comon a forma como o governo central fará aplicar estas medidas – que significariam a queda do governo catalão e a marcação de eleições para dia 21 de Dezembro.

Já hoje pela manhã Carles Puigdemont publicou uma fotografia do Palau de la Generalitat com a simples descrição “Bon dia :)” confirmando a sua presença no parlamento e dando sinais que adensam a expectativa em torno do assunto. Recorde-se que o incumprimento da lei colocará Puigdemont na mira da justiça e na possibilidade de ser acusado de rebelião, crime com moldura penal que vai até aos 30 anos.

Bon dia ?

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Os olhos de todo o mundo estão postos na Catalunha e as reações internacionais que chegaram de todo o mundo dão uma ideia do panorama. Até agora, e considerando apenas estados, apenas a Bélgica mostrou apoio a Puigdemont levantando a hipótese de asilo político. O resto da comunidade internacional limitou-se a repassar um comunicado com linhas redigidas pelo governo espanhol, o que prova o seu alinhamento diplomático.

Em Portugal e apesar da posição oficial ser um reflexo da de toda a europa, a proximidade dá relevo ao assunto e, especialmente à esquerda, as reacções dividem-se.

Quanto a instâncias centrais, tão importantes na definição da malha geopolítica, também não tardaram a reagir. A União Europeia foi a primeira a fazê-lo, na pessoa do seu presidente, Donald Tusk:

Já das Nações Unidas de quem se espera também um parecer importante – tendo em conta que é a carta das Nações Unidas que determina o direito de auto-determinação dos povos – ainda não houve qualquer reacção institucional ou oficial, destaque apenas para a intervenção de Alfred de Zayas que apelou ao governo de Rajoy para que não suspendesse a autonomia da Catalunha.

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