Há uma caverna na Lua que pode acolher astronautas

Dados recolhidos pela sonda espacial japonesa SELENE confirmam a existência de um enorme complexo subterrâneo.

Tem 50 quilómetros de extensão e uma largura média de 100 metros, o que torna esta caverna na lua no local ideal para acolher uma base permanente, caso a humanidade decida mudar-se para a Lua.

A existência deste complexo subterrâneo natural foi confirmada pela Sonda japonesa SELENE (baptizada em nome de uma antiga divindade lunar), que orbita o satélite da Terra, tendo dado origem a um artigo publicado esta semana na revista científica norte-americana Geophysical Research Letters.

“Já sabíamos destes locais, que se julga terem sido criados por tubos de lava, mas a sua existência foi agora confirmada”, disse Junichi Haruyama, investigador da agência espacial do Japão.

A estrutura, provavelmente formada por actividade vulcânica há 3,5 mil milhões de anos, pode servir como protecção natural contra a radiação espacial e como uma base para futuras missões exploratórias.

A Colina Marius, vista da sonda japonesa SELENE. Imagem NASA/Universidade do Arizona

A caverna está localizada numa área conhecida como Colinas Marius, que concentra o maior número de crateras vulcânicas na superfície lunar. Os testes geológicos com o uso de ondas sonoras detectaram um tubo de lava com 500 quilómetros de comprimento e cem metros de largura.

Lá dentro, existe protecção contra as temperaturas extremas que variam entre a média de 107 graus Celsius durante o dia e -153 graus Celsius durante a noite, além da radiação ultravioleta. E existe a possibilidade de o local ter reservas de água ou gelo, essenciais para a manutenção de uma base e a produção de combustíveis, indispensáveis a qualquer tipo de colonização da lua.

Recentemente, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, declarou que o governo norte-americano pretende enviar missões tripuladas à Lua, com o intuito de construir uma estação no satélite, já conhecida como “Deep Space Gateway”, que serviria como campo de testes para astronautas e equipamentos para missões exploratórias para regiões mais distantes no espaço.

A Agência Espacial Europeia também já declarou sua intenção de construir uma base na Lua. O satélite natural é visto como o local ideal para a instalação de um entreposto para missões mais profundas, já que os foguetes não gastariam tanto combustível como em lançamentos a partir da Terra, por causa da força gravitacional do planeta.

A intenção de Elon Musk, fundador da SpaceX, também não é novidade. Além da intenção de levar turistas ao espaço, o “timoneiro dos entrepreneurs” também já falou várias vezes sobre a instalação de uma colónia humana na Lua e da utilização do satélite natural para potenciar os negócios na terra. Desde a década de 1970 que os astronautas não pisam na superfície lunar, mas diversos países planeiam fazê-lo em breve. O Japão quer enviar o primeiro japonês para a Lua por volta de 2030, e a China planeia enviar sua primeira missão tripulada em 2036.