Uma maçã não é uma banana, uma lição sobre fake news

A CNN respondeu às acusações do Presidente dos EUA com um vídeo irónico.

A CNN é um dos mais conhecidos e respeitados canais noticiosos do mundo. Com mais de 30 anos de emissão e filiais espalhadas por todos os cantos, quer agora reclamar o seu estatuto no mundo dos factos e do jornalismo, e lançou para isso um pequeno vídeo de apenas 30 segundos, que até pela sua simplicidade ridiculariza o mundo das fakes news. 

O anúncio surge depois das repetidas acusações de Donald Trump ao canal norte-americano e está a ser visto por muitos como uma resposta directa aos múltiplos casos em que foram acusados de mentir pelo Presidente dos Estados Unidos. Outros vão mais longe na interpretação e ironizam que talvez este anúncio também seja um pensamento auto-crítico. Interpretações à parte, a mensagem não deixa de ser importante e simples à compreensão de cada um:

O vídeo não tem muita história, tal como as razões que o antecedem e é, aliás, essa síntese e a subtileza que lhe dão tanta força simbólica. São 30 segundos de uma maçã sob fundo branco com uma voz calma a ler um texto esclarecedor:
“This is an apple. Some people might try to tell you that it’s a banana. They might scream, ‘Banana, banana, banana!’ over and over and over again. They might put BANANA in all caps. You might even start to believe it’s a banana, but it’s not. This is an apple.”

A peça de comunicação nesta original abordagem minimalista, inaugura o que parece ser uma nova frase de posicionamento e marca a estreia da agência Figliulo & Partners ao serviço do canal. Como o responsável pela criação explica, a ideia foi usar uma linguagem propositadamente básica, “como se fosse o primeiro dia de aulas”, para a partir definir a linha que se tem esbatido entre factos e opiniões.

A confirmar-se a inspiração em Trump esta não seria ainda assim novidade. Apesar do mandato ainda curto, o presidente norte-americano já lhe viu dedicadas outras mensagens publicitárias, como a do icónico anúncio do New York Times:

O recurso dos outlets noticiosos a campanhas de publicidade para limpar a sua imagem com um discurso tão racional e argumentativo não deixa de ser ligeiramente suspeito – pode dizer-se que quem tem credibilidade não precisa de a reafirmar – mas a verdade é que num ambiente em que é mais difícil perceber o impacto real dos milhares de narrativas e produtores de conteúdo que colidem online, este tipo de mensagens nunca é demais.

Milhares de pessoas seguem o Shifter diariamente, apenas 50 apoiam o projecto directamente. Ajuda-nos a mudar esta estatística.