Facebook nega ouvir as tuas conversas offline

Polémica não é nova, já tinha sido levantada em 2016.

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Não é a primeira vez que o Facebook é acusado de espiar os seus utilizadores quando estes não estão ligados à rede social, ouvindo as suas conversas offline através do microfone do smartphone ou computador e mostrando-lhes depois anúncios relevantes. Dois responsáveis do Facebook voltaram a negar esse comportamento, na semana passada, em resposta a um apresentador de um podcast de tecnologia, em pleno twitter.

Foi na quinta-feira que PJ Vogt, criador o Reply All, perguntou no Twitter se os ouvintes acreditavam que o Facebook usava o seu microfone para os espiar, convidando-os a participarem através de um número telefónico. Rob Goldman, um dos responsáveis pelos anúncios do Facebook, terá visto o tweet e não hesitou em responder: “Giro o produto de anúncios no Facebook. Nós nós – nem nunca usámos – o teu microfone para anúncios. Isso puramente não é verdade”, comentou.

Andrew “Boz” Bosworth, que antes ocupava o cargo de Rob como vice-presidente dos anúncios e que agora gere o hardware de consumo dentro do Facebook, também comentou o tweet de PJ Vogt, mais concretamente a resposta de Charlie Warzel, jornalista de tecnologia do BuzzFeed News, ao mesmo: “Incorrecto”, disse apenas, rejeitando a observação de Charlie na qual este acusava o Facebook de “fazer isso de certeza [ouvir as conversas offline]”.

Perante a insistência do repórter do BuzzFeed News por uma explicação lógica, Boz falou em “coincidência”, dizendo que “acontece mais vezes que aquelas que as pessoas acham”, e completou afirmando que a segmentação de anúncios do Facebook é “muito boa”. Josh Constine, jornalista do TechCrunch, acrescentou que “quando uma [empresa] supera as expectativas com lucros enormes desde 2012, não vai fazer espionagem para se arriscar a um apocalipse legal/contestação em massa dos utilizadores”.

Em 2016, o Facebook lançou um comunicado a negar usar o microfone dos telemóveis dos utilizadores para melhorar a segmentação da publicidade que aparece no News Feed, depois de uma polémica semelhante. “Mostramos anúncios com base nos interesses das pessoas e noutras informações de perfil – não com base no que estão a falar alto”, escreveu a empresa na altura. Em 2017 a questão continua a dar aso a discussão e a muitas dúvidas, apesar dos comunicados oficiais. O poder acumulado pelo Facebook e a falta de transparência em torno de todo o seu produto dão margem aos utilizadores para a desconfiança. E tu, em quem é que acreditas?

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