Comunidade do Twitter une-se para pedir ajuda à Google para o Fogos.pt

A Google tem um programa de apoio a projectos sem fins lucrativos, mas não está disponível em Portugal.

Os incêndios que deflagraram no país no último domingo e segunda e que vitimaram mortalmente 43 pessoas voltaram a não dar descanso a João Pina, autor do Fogos.pt, o site/app móvel que mostra os fogos activos no país. O buzz nas redes sociais e os destaques na imprensa deram ao Fogos.pt um tráfego fora do comum nos dias da tragédia.

O Fogos.pt chegou a registar 6-8 mil acessos em simultâneo no domingo, o que causou a indisponibilidade da plataforma naquele dia. É que além do servidor ser limitado, João Pina está dependente das quotas de acesso ao Google Maps, serviço de mapas que utiliza para mostrar os fogos activos, como explicou, no final de Setembro, em entrevista ao Shifter.

João disse-nos, na altura, precisar de uma parceria ou outro tipo de apoio da Google, uma vez estar já a utilizar o plano máximo de licenças do Maps disponível para particulares e não conseguir custear uma contra empresarial com as receitas publicitárias obtidas com o site. Ora, se de 1 de Julho a 31 de Agosto o Fogos.pt tinha tido pouco mais de 5 milhões de pageviews, só no domingo e na segunda foram 1,5 milhões de pageviews e cerca de 400 mil utilizadores únicos – motivos: a popularidade que o projecto ganhou junto da comunidade online, especialmente no Twitter, e as menções várias que recebeu na comunicação social.

Actualmente, João Pina joga com um número restrito de keys (chaves) – essas chaves determinam quantos acessos o Fogos.pt pode fazer à API do Google Maps. Ora, esgotadas essas keys, os visitantes deixam de conseguir ver os mapas no Fogos.pt e o serviço mostra-se indisponível. Na madrugada domingo, e já no limite das suas capacidades, João pediu no Twitter se alguém podia arranjar novas keys e a comunidade respondeu em conformidade. Houve pessoas a criar (e aprender a criar) de propósito estas chaves para ajudarem a manter o site cativo. Também a Google respondeu ao tweet de João Pina.

Através da conta @GoogleMapsAPI, a tecnológica norte-americana mencionou um programa para organizações sem fins lucrativos que, se tivesse disponível em Portugal, resolveria o problema de João. O programador refere que, nos últimos dias, já recebeu contactos por e-mail da Google – um deles a informar que, provisoriamente, tinham sido alargados os limites da conta do Fogos.pt.

“Eu queria entrar no programa sem fins lucrativos da Google. Tenho tudo o que eles pedem, só que o programa não abrange Portugal”, explica-nos por mensagem. “Nesse programa, deixaria de pagar o Maps e poderia ter servidores sem pagar também, e removeria a publicidade do site e das apps. Nestes contactos pedi para meterem Portugal no programa, mas ainda não tive respostas.”

Milhares de pessoas seguem o Shifter diariamente, apenas 50 apoiam o projecto directamente. Ajuda-nos a mudar esta estatística.