Viver na II Guerra Mundial, a rolo e cores

Mais de 10 fotografias mostram-te os bastidores de uma das épocas mais memoráveis da História.

As fotografias a cores eram raras no tempo da Segunda Grande Guerra por isso não é estranho que grande parte dos registos que já viste dessa época sejam a preto e branco. É precisamente por este ser um evento fascinante por si só, por toda a dimensão histórica e social que tem ainda nos dias de hoje e pela raridade de momentos coloridos desse tempo, que as imagens do mais recente livro publicado pelo Museu Imperial War de Londres são tão interessantes. É que o preto e branco pode levar-nos a olhar com demasiada distância algumas das atrocidades ocorridas nesse contexto ou a achar que aconteceram há muito tempo, ainda que 70 anos não seja nada, muito menos neste contexto.

As fotografias aparecem no seu estado original – não são retocadas, nem coloridas de novo: “Podes ver exactamente o que foi tirado. Eu sei que é comum hoje em dia ver fotografias alteradas e fotos a preto e branco recoloridas, mas isto é o mais real que há”, disse à CNN o autor do livro, Ian Carter.

As fotografias foram, na altura, encomendadas pelo Ministério da Informação britânico, que teve acesso a uns quantos rolos Kodachrome e os distribuiu por vários fotógrafos oficiais para que os experimentassem. A ideia era posteriormente publicá-las em revistas norte-americanas.

No total, foram tiradas mais de 3 mil fotografias, mas nem todas sobreviveram: “Cerca de metade desapareceu e não sabemos onde estão”, disse Carter. As fotos sobreviventes tornaram-se parte dos arquivos do Museu em 1949, e algumas delas estão agora a ser publicadas pela primeira vez em 70 anos.

Numa altura em que o equipamento fotográfico também era escasso, não é clara a forma como os fotógrafos deram uso aos seus rolos a cores, e Carter acredita que devem tê-los usado em câmaras normais, que fotografavam a preto e branco. Eram uma raridade tão grande que não havia a facilidade de se desperdiçarem fotografias: “Eles tiveram um número muito limitado de rolos e tiveram que ter muito cuidado, portanto, eles deviam teve o rolo numa câmara que só usavam para algumas fotos, enquanto faziam a reportagem normal a preto e branco”, disse Carter.

Alguns detalhes incríveis que se perderiam numa escala de cinzentos escala emergem de repente, como o laranja – a cor da família real holandesa – numa cena de libertação em Eindhoven, na Holanda. Estas imagens mostram o mundo como as pessoas provavelmente o viram na época: “Quando vês as fotos, parecem mesmo ter sido tiradas ontem ou encenadas”, disse Carter.
“Ainda é um pouco estranho ver fotografias colorida da Segunda Guerra Mundial. Elas ainda têm o poder de chocar”.