Get Me Roger Stone: um guia completo e divertido sobre a política americana

"O meu nome é Roger Stone e sou um agente provocador."

Get Me Roger Stone
 

Roger Stone nasceu em 1952 e ao longo dos anos tornou-se num inconfundível consultor político. Aos 65 anos, é uma das figuras mais peculiares no lado republicano da política norte-americana, com uma longa carreira marcada pela actuação nos bastidores dos principais acontecimentos. Stone foi um dos criadores da primeira agência dedicada ao Lobby político, a Manafort, e um dos principais conselheiros de Donald Trump na corrida à Casa Branca, só para te dar dois exemplos da dimensão do seu trabalho.

Recentemente, e a propósito deste último acontecimento, tornou-se estrela de um documentário da Netfix, “Get me Roger Stone”, de Dylan Banl, Daniel DiMauro e Morgan Pehme – “um filme que explora a vida e a carreira de Roger Stone, um notório trapaceiro, sem escrúpulos, republicano. Stone foi conselheiro de Donald Trump por um longo tempo, ajudando-o a criar sua carreira política”. 

O escritor Jeffrey Toobin descreve Roger como “o sinistro Forrest Gump da política americana” que acaba por aparecer cada vez que há uma crise constitucional ou um grande escândalo. É na primeira pessoa e com um à vontade louvável perante o rol de insinuações e acusações que Stone protagoniza esta longa metragem que nos dá uma ideia da complexa rede de relações e personagens que marcam a democracia de um dos países mais influentes do ocidente.

Ao longo do documentário, Stone revela algumas das suas regras cujo objectivo é servirem não só como o legado pessoal mas como guia orientador de quem quer entrar no negócio, e como ele, abraçar o… sucesso. Para além das regras, o documentário revela ainda como se operacionaliza a maior parte da excentricidade táctica deste political advisor e a forma como mesmo depois de ter sido afastado da campanha de Donald Trump, por ter desfilado na Parada de Orgulho Gay, manteve a sua influência.

Stone’s Rules

1 – It’s better to be infamous than never be famous at all.

Stone entrou no mundo da política prematuramente – na eleição simulada da sua escola primária, lembra como persuadiu seus colegas de classe a votar em Kennedy, assegurando-lhes que Nixon planeava implementar a escola aos sábados. “Pela primeira vez, entendi o valor da desinformação”, afirma.

2 – Past if fucking the prolog.

Aos 19 anos, Roger testemunha o caso do Watergate. “O truque sujo de um homem é a acção política civil de outro homem”, revela. O seu amor por Nixon torna-se expressivo ao ponto de os pais o acusarem de não ser cristão e de louvar um novo Deus, o então presidente norte-americano.

3 – Attack, attack, attack, never defend.

Stone tatua a cara de Richard Nixon nas suas costas porque “a sua maior qualidade é a resiliência”, explica. “E esse é o propósito da minha tatuagem. É um lembrete de que, na vida, tu és derrubado… tens que se levantar e continuar a empurrar.”

4 – Business is business.

Roger e Trump trabalharam juntos durante 30 anos. Roger afirma que sempre viu potencial em Trump e que ele devia concorrer às eleições. “Eu era como um jóquei à procura de um cavalo”, lembra Stone. “E [Trump] é um verdadeiro pedaço de carne de cavalo político na minha opinião”.

5 – The only thing worse in politcs than being wrong is being boring.

Roger torna-se no consultor político de Trump na sua corrida às eleições. Porém, o candidato sente-se ameaçado pelo protagonismo de Roger sobre os media, e este acaba afastado. A questão permanece, foi Roger que se demitiu ou será que foi despedido?

6 – What’s in public domain is fair game.

Roger entende perfeitamente o poder da audiência e chega a afirmar que a política não é diferente do entretenimento. São ambas uma actuação, e há pessoas que não as sabem distinguir.

7 – Reinvent yourself.

Stone afirma que costuma acreditar no pior das pessoas porque compreende a natureza humana. Não precisa de campanhas políticas para ser atenção dos media – “sou capa de tablóide sempre que quiser”.

8 – Nothing is on the level.

Como arquimestre de jogadas políticas, e apesar de não lidar diretamente com a campanha de Trump, Roger orquestrou toda uma série de acontecimentos que ocorreram, passo a passo de acordo com o seu plano. Por exemplo, a substituição de Lewandowski por Manafort.

9 – Think big. Be big.

Mike Murphy, consultor político republicano, considera Roger Stone o arquitecto da campanha eleitoral de Donal Trump e uma lenda na consultoria política.

10 – Hate is a more powerful motivator than love.

No final do documento, Stone diz em frente à câmara que “Eu gosto do seu ódio. Porque se eu não fosse eficaz, você não me odiaria.”

11 – To win you must do everything.

Após a vitória de Donald Trump nas eleições americanas, a expressão de Roger Stone em directo, revela-se particularmente difícil de compreender – após uns momentos de serenidade, é forçado um sorriso, que levanta uma série de perguntas cuja resposta está nas mãos do espectador.

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