Huawei Mate 10 Pro: um telemóvel com cabeça, tronco e membros

A resposta da Huawei à Apple e Samsung parece promissora.

Huawei Mate 10

A inteligência artificial está cada vez mais nas nossas vidas e começa a definir-se como o terceiro pilar estruturante dos nossos smartphones. Para as fabricantes, como a Huawei, já não basta combinar hardware e software para criar produtos bons e distintos dos da concorrência. Cada vez mais, a estratégia passa por juntar a inteligência artificial à equação. O novo Huawei Mate 10 Pro, anunciado hoje em Munique, é resultado dessa estratégia: um telemóvel com cabeça, tronco e membros que chega entre o lançamento do Galaxy Note 8 e do iPhone X.

Lançado em 2014, o Mate 7 marcou a estreia da Huawei nos smartphones de 6 polegadas – uma categoria de produto que a Samsung tinha inaugurado três anos antes com o primeiro Note. Em 2015, a Huawei apresentou o Mate 8 e no ano passado chegou o Mate 9 acompanhado pela primeira vez pelo “irmão mais velho” Mate 9 Pro, uma versão mais avançada do já “avançado” telemóvel. Em 2017, a linha Mate volta novamente com duas versões, mas só o Mate 10 Pro estará disponível em Portugal – chegará às lojas portuguesas a 23 de Novembro por 879 euros.

O Huawei Mate 10 Pro é o mais recente topo-de-gama de 6 polegadas da tecnológica chinesa, que é a terceira maior fabricante de telemóveis, a seguir à Samsung e à Apple. É na Europa que a Huawei tem conseguido crescer mais, através de uma estratégia de parcerias com operadoras e canais de vendas. É para o mercado europeu que se destina o Huawei Mate 10 Pro, equipamento que tivemos a oportunidade de experimentar há duas semanas, num evento para imprensa em Londres.

Por fora, o Mate 10 Pro apresenta um design “à lá 2017”: o ecrã de 6 polegadas ocupa praticamente toda a parte frontal, com uma pequena moldura em alumínio em cima para o sensor fotográfico e outra em baixo para garantir simetria. O visor é OLED; apresenta uma resolução de 2160×1080 pixels e um aspect ratio de 18:9; e tem suporte HDR10, para veres séries e filmes com melhores cores.

Na parte de trás, ligeiramente curva, encontramos um revestimento a vidro – mas não é por isso que o Mate 10 Pro pode ser carregado sem fios. A Huawei explica que a bateria de 4000 mAh, uma das maiores num smartphone, garante uma autonomia de 2 dias ou até mais e que o carregamento rápido, que permite obter 58% de carga em apenas 30 minutos, cumpre as necessidades dos utilizadores e oferece segurança.

A câmara traseira é composta por duas lentes Leica – uma colorida de 12 megapixels e outra monocromática de 20 megapixels; ambas com uma abertura de f/1.6. É através da combinação destas duas lentes que o Mate 10 Pro promete uma qualidade fotográfica excepcional quer em ambientes de muita luz, quer em momentos mais escuros. Mas parte da magia acontece graças à inteligência artificial – o cérebro por detrás dos olhos. Assim, o Mate 10 Pro consegue identificar automaticamente o cenário de determinada foto e ajustar as definições da câmara, como o ISO ou a exposição. A Huawei diz que treinou a câmara com mais de 100 milhões de imagens para que ela consiga reconhecer o maior número possível de contextos.

A inteligência artificial na câmara sente-se também no momento de focar. Das quatro tecnologias de foco disponíveis – pelo contraste, profundidade, detecção de um rosto ou laser –, é possível escolher a que melhor se adequa a cada situação.

Nos breves testes que fizemos com a câmara do Huawei Mate 10 Pro em Londres, conseguimos obter resultados bastante bons – comparando, por exemplo, a um Huawei P10, telemóvel lançado no início deste ano também com uma câmara dupla Leica.

No interior, o Mate 10 Pro vem com o primeiro processador fabricado pela Huawei, o Kirin 970, anunciado na feira IFA, em Berlim. Este Kirin 970 inclui, além de um CPU (de 8 núcleos) e GPU (de 12 núcleos) como é habitual nos chips de processamento, um NPU. “O CPU e GPU levaram-nos à Lua em 1986 mas não evoluíram”, comentou um responsável da Huawei, durante a apresentação em Londres. “O NPU funciona como o cérebro humano.”

O NPU é o coração do Mate 10 Pro – é incumbido pelo processamento de toda a inteligência artificial do Mate 10 Pro e pelas suas capacidades de aprendizagem automática ou de reconhecimento de imagens. Só com um CPU e GPU, o telemóvel seria bem mais lento nestas tarefas. A Huawei diz que o Mate 10 Pro consegue reconhecer 2005 imagens por minuto, enquanto que um iPhone 7 Plus apenas faz o reconhecimento de 487 nesse mesmo intervalo e 95 no caso do Galaxy S8. O NPU e a inteligência artificial permitem ainda fazer uma leitura do comportamentos dos utilizadores e optimizar a performance do telemóvel e estender a bateria – no fundo, criar um Mate 10 Pro para cada pessoa.

A Huawei vai abrir o NPU aos programadores, permitindo-lhes desenvolver apps ou adaptar as existentes para correrem de forma mais rápida e eficiente no Mate 10 Pro. A Microsoft já está a trabalhar nisso com a fabricante chinesa, tendo desenvolvido um sistema de tradução de texto e imagens que funciona de forma instantânea, mesmo quando não estamos ligados à internet.

Quanto à conectividade, o Mate 10 Pro tem um conjunto de 8 antenas – 4 em cima e 4 em baixo – para que nunca fiques sem rede e pode ser usado com dois cartões SIM 4G em simultâneo. O telemóvel permite velocidades de 1,2 Gbps de transferência de dados, isto é, podes descarregar um episódio de uma série em apenas 2 segundos. Para consegui-lo, precisas, contudo, de estar ligado a uma rede 4,5G, o que ainda não é possível em Portugal.

O Mate 10 Pro vem com Android 8.0 Oreo, a versão mais recente do sistema operativo da Google, adaptado pela Huawei através da interface EMUI 8.0. Graças ao EMUI 8.0, o smartphone pode ser ligado por um simples cabo USB-C a um ecrã externo – com rato e teclado – e ser usado como um computador de secretária. Outra funcionalidade permite responder a uma mensagem sem perder de vista, por exemplo, um vídeo que estamos a ver – basta clicarmos na notificação e responder à mensagem, num ecrã dividido. Por fim, graças à inteligência artificial, o Mate 10 Pro é capaz de reconhecer quando estás a falar baixinho ao telemóvel (porque estás numa reunião, por exemplo) e amplificar a tua voz para que a pessoa do lado de lá, na chamada, consiga ouvir-te sem problemas. O mesmo acontece com ruído da rua, que o equipamento será capaz de reduzir para uma maior perceptibilidade.

O Mate 10 Pro vai estar disponível nos mercados europeus, ao contrário do Mate 10. Este último apresenta um ecrã LCD (e não OLED), não tem resistência a água como o Pro, mas ao contrário deste inclui entrada de áudio de 3,5 mm. O Mate 10 Pro obriga à utilização de auscultadores com ligação USB-C ou de um adaptador. O Mate 10 Pro estará disponível na Europa em três cores: Midnight Blue, Titanium Gray e Mocha Brown (existe uma quarta cor – Pink Gold – mas não será lançada cá). O telemóvel trás 6 GB de memória RAM e 128 GB de armazenamento interno.