MGMT: eles eram os hippies do futuro

Bem que na altura tentaram que se lesse “management”, mas ficaram conhecidos como “émegiémeti”.

Em 2000 e poucos, os MGMT eram dois miúdos na faculdade, que se divertiam a experimentar sons num banal laptop e cujo objetivo passava por fazer piada sobre bandas de rock. Aliás, a intenção não passava por gravar e editar, mas sim por oferecer descuidados concertos de 15 minutos ou atuações em dormitórios em que a setlist consistia única e exclusivamente na interpretação deste clássico de Ray Parker Jr..

Embora os concertos nunca tenham passado do nível descuidado, a paródia lá evoluiu e “Time to Pretend” sintetiza na perfeição as ideias inicais do duo, com o bónus dos miúdos contemporâneos comprarem a sátira. Fingir que se faz música e dinheiro, casar com modelos, ir para Paris, chutar heroína, comprar bons carros, viver rápido e morrer novo e a canção continua. Afinal, aqueles sons sacados do laptop até são cantados por milhares, em unissono, nos grandes festivais de verão. Nada que os faça levarem-se a sério, como é exemplo a passagem pelo David Letterman Late Show, em que surgem protegidos por capas de super-herói e a terminam a atuação com uma citação a “Light My Fire”. Pode ser uma forma de nos dizerem que, tal como a canção dos Doors, os teclados de “Time To Pretend” (e, já agora, os de “Kids”) são imortais. Ao longo dos últimos dez anos, as duas canções foram dando música à cultura popular: filmes, séries, anúncios e videojogos. “Kids” chegou mesmo a meter o Nicolas Sarkozy em trabalhos.

Mesmo numa altura em que Oracular Spectacular se torna inevitável, a piada continua: quando lhes perguntam que produtor querem, respondem “Prince, Nigel Godrich, Barack Obama [que ainda não era Presidente] e de todo a Sheryl Crow”. A responsabilidade acabou por ir para Dave Fridmann, homem habituado a lidar com eternas crianças tipo Wayne Coyle dos Flaming Lips.

Oracular Spectacular foi marcante, mas a maior parte só se lembrará de metade de um disco que está virtualmente cortado em duas metades. A primeira incorpora aquele modelo punk do arranque do projeto e tem quatro em cinco singles possíveis e é a tal metade que a cultura pop adoptou. “Weekend Wars”, “Youth” e “Electric Feel” juntam-se às tais imortais linhas de teclado já acima dissecadas. A segunda metade é menos acessível, mais psicadélica e consequentemnte mais próxima da estética hippie com gatinhos à mistura que tentaram passar através dos vídeos e atuações ao vivo. Imaginem-se em 1967 a ouvir estes hippies vindos do futuro. Pois não, não faz sentido. A verdade é que fez sentido por um momento, ali entre 2007 e 2009.