A multinacional Monsanto foi banida do Parlamento Europeu. Porquê?

Em causa esteve a recusa da empresa em participar numa audiência parlamentar sobre um elemento usado num pesticida que produz.

Protesto conta a Monsanto em Bruxelas, Julho de 2017 (foto de: Yves Herman/Reuters)

Os lobbistas da empresa de agricultura Monsanto foram banidos de entrar no Parlamento Europeu e consequentemente de exercer funções de influência junto dos membros desta instituição europeia. Esta decisão, que foi suportada por todos os grupos parlamentares, é consequência da recusa da multinacional em prestar esclarecimentos sobre acusações de manipulação de estudos regulatórios.

Está em causa a suspeita que a Monsanto tenha influenciado de forma ilícita a elaboração de um relatório onde afirmava que o glifosato, componente chave de um dos herbicidas mais vendidos pela empresa, era seguro e que por sua vez não apresentava risco para a saúde das populações.

Se esta suspeita já parecia grave o suficiente, em Setembro de 2017, o The Guardian noticiava que a autoridade europeia para a segurança alimentar tinha copiado e colado o estudo feito pela Monsanto, que demonstrava que o glifosato era seguro para a população. Desta forma, o relatório da instituição europeia era decalcado do parecer encomendado pela empresa norte-americana.

A gigante da área dos químicos, que gasta entre 300 e 400 mil euros em lobby junto das instâncias europeias, defende-se, afirmando que o Parlamento Europeu não é “o fórum apropriado” para a discussão destas matérias e por isso a recusa de esclarecimentos está perfeitamente justificada.

Um dos debates mais “tóxicos” da UE não ficará por aqui. No final da semana terá lugar em Bruxelas uma reunião com os representantes dos 28 Estados-membros da União com vista a aferir a segurança de uso do glifosato e por sua vez à discussão sobre a renovação por mais 10 anos do elemento químico. Para já, há a confirmação que França vai votar contra a renovação, sendo assim uma baixa de peso na manutenção do ingrediente para uso comunitário.

De recordar que a Monsanto está num processo de fusão com a multinacional Bayer, resultando deste processo a consolidação de um gigante empresarial no sector agro-químico. Se há um ano a operação de mercado foi comunicada ao público, esperava-se que a aglutinação das duas empresas ficasse concluída no ano civil de 2017; todavia, existiam muitas arestas a limar e ao que tudo indica 2018 será o ponto final temporal neste procedimento.