“A nova Europa”. A extrema-direita está a percorrer o continente

Sabe quais os países onde os partidos de extrema-direita já ocupam assentos parlamentares.

How Far Is Europe Swinging to the Right? - New York Times

Quer sejam da ala nacionalismo, populista ou até mesmo fascista, os partidos de direita e extrema-direita têm contado com um aumento bastante significativo das suas percentagens eleitorais por toda a Europa. A social-democracia, por outro lado, tem visto os seus assentos diminuírem no parlamento.

Como causas apontam-se uma sensação de perda da identidade nacional, uma grande desilusão quanto às políticas envergadas pela União Europeia, a crise de refugiados e a desigualdade económica, diz o The New York Times.

Na Áustria, o conservador Partido Popular ganhou as eleições legislativas com 31,5% e prepara-se para uma coligação com a extrema-direita do Partido da Liberdade (FPÖ). A cumprir-se esta aliança, será instaurada no país uma política repressiva ao acolhimento de refugiados e à entrada de imigrantes ilegais vindos do Média Oriente, uma redução dos subsídios dados a imigrantes e o fecho de creches muçulmanas, para evitar a formação de uma “sociedade paralela”, como justifica Sebastian Kurz, líder do Partido Popular.

A saída dos sociais-democratas do Governo, que desde a Segunda Guerra Mundial apenas tinham perdido a maioria numa eleição, é histórica. Desde 2002, que o Partido da Liberdade tem ganhado mais espaço no Parlamento austríaco, tendo subido de 10% para 27%, nas eleições de 2017.

Também na Alemanha, a extrema-direita cresceu e, nas eleições deste ano, a Alternativa conseguiu assento no Bundestag, pela primeira vez. Os dados disponibilizados pelo The New York Times revelam que, na corrida às urnas em 2013, o AfD consegui apenas 4,7%. A abertura das fronteiras do país aos refugiados, sobretudo sírios, pela chanceler Angela Merkel, fez com que a percentagem aumentasse, em 2017, para os 12,6%, ganhando a Alternativa o título de terceira maior força política na Alemanha.

Ainda antes da Alemanha, foi a vez da Holanda. As vagas anti-islamismo e anti-União Europeia trouxeram Geert Wilders, líder do Partido da Liberdade holandês, ao palco político. Desde 2006, ainda que com altos e baixos, o partido de extrema-direita foi ganhando espaço no panorama político e, em 2017, acabou por ficar em segundo lugar nas eleições de Março.  Geert Wilders prometeu, durante o período de campanha eleitoral, banir o Corão e fechar escolas e mesquitas islâmicas. Chegou mesmo a descrever os imigrantes marroquinos como ”lixo”.

Também França, a nação da “liberdade, igualdade e fraternidade”, foi palco de uma ascensão bastante significativa da sua ala de extrema-direita com a Frente Nacional (FN). Apesar de a FN ter sido criada em 1972, inclusive integrando colaboradores nazis, foi a partir de 2012 que se intensificou a sua presença, já com Marine Le Pen como líder do partido. Em 2017, a Frente Nacional ficou com o segundo lugar nas eleições, perdendo para Emmanuel Macron de La République en Marche.

Mas não foi apenas 2017 o ano que fez notar um aumento dos partidos populistas, nacionalistas e fascistas na Europa. Já em 2014 e 2015, países como a Hungria, a Suécia, a Grécia, a Polónia, Suíça, a Eslovénia, a Dinamarca e a Bélgica viram alguns dos seus assentos parlamentares ocupados por forças de extrema-direita.

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