A corrida à tese de Stephen Hawking que bloqueou o site da Universidade de Cambridge

A tese de doutoramento sobre a teoria do universo em expansão está disponível online gratuitamente. Se conseguires entrar no site.

Foto de: Tom Dymond/PA

Olha para ti. Quantos anos tens? Quer tenhas mais ou menos que 24 anos, pensa no que estavas/estarás a fazer nessa idade? Stephen Hawking estava a escrever um dos documentos mais esclarecidos e esclarecedores da ciência recente. Em 1966, o cientista britânico assinava “As propriedades de um Universo em expansão”, 134 páginas sobre as implicações e consequências da criação e desenvolvimento do universo, ideias que ressoaram ao longo da sua carreira.

A sua tese de doutoramento tornou-se numa das mais requisitadas nas bibliotecas da Universidade de Cambridge – cada cópia custava cerca de 70 euros, e agora foi disponibilizada online no âmbito da Open Access Week 2017, um evento global que já vai na sua 10ª edição e que desafia os investigadores a partilharem os seus trabalhos.

A sua divulgação pública e gratuita sempre foi um desejo de Hawking, que espera inspirar “pessoas em todo o mundo a olhar para cima, para as estrelas, e não para os seus próprios pés; a questionarem o nosso lugar no universo e a tentar encontrar um sentido no cosmos”. Defende ainda que outras investigações deveriam ser de livre acesso, considerando que “cada geração se apoia nos que a antecederam”, tal como lhe aconteceu quando era um aluno de doutoramento em Cambridge.

A tese “histórica”, como a define a Universidade, é já é o documento mais procurado do seu arquivo aberto. Nas primeiras horas, foram mais de 60 mil as pessoas que tentaram aceder ao documento. Para já, Cambridge vai ainda tentar convencer todos os seus antigos alunos – que incluem nada menos do que 98 prémios Nobel… – a seguir o exemplo de Hawking. No âmbito deste programa de acesso digital, todas as teses de Cambridge terão de ter uma versão digital a partir deste mês, e os alunos serão encorajados a disponibilizarem-nas gratuitamente. 

Aos 75 anos, o astrofísico, a quem, aos 21 anos, foi diagnosticada esclerose lateral amiotrófica e que só consegue “falar” através de um complexo sistema de comunicação que gera uma voz electrónica, continua a ser um dos homens mais admirados no mundo, um dos mais importantes nomes para o avanço da sua especialidade e a pessoa responsável por, em pleno século XXI, ter levado ao colapso do site de uma das universidades mais prestigiadas do mundo. Não é só a Kim Kardashian, Stephen Hawking também parte a internet.