Terry Richardson impedido de trabalhar com as maiores revistas de moda do mundo

Em causa estão, alegadamente, várias acusações de abuso sexual de Terry Richardson que acompanham o fotógrafo pelo menos desde 2014.

É um dos mais conceituados fotógrafos de moda dos nossos tempos e vê-se agora afastado de grande parte das publicações que foram suas parceiras ao longo de uma carreira já com décadas. De acordo com o Daily Telegraph, foi uma decisão do grupo Condé Nast, de que fazem parte revistas como a Vogue, GQ e a Vanity Fair, comunicada numa nota interna à qual o jornal teve acesso.

De acordo com o e-mail assinado pelo vice-presidente executivo da Condé Nast, o grupo está proibido de voltar a contratar Terry Richardson e todos os trabalhos que este tenha feito e que não tenham sido ainda publicados devem ser substituídos por outro materialcita o The Telegraph.

Apesar de não falar especificamente nas acusações de assédio sexual de que o fotógrafo é alvo, a opinião pública tem-se manifestado nesse sentido, associando os dois assuntos. A última vez que o nome de Terry Richardson apareceu associado a um escândalo do género foi em 2014, quando foi acusado de exploração sexual por parte de diversas modelos – acusações que negou, dizendo que era sempre respeitador nos trabalhos que realizava. Mas numa altura em que Hollywood e o mundo do espetáculo no geral se têm insurgido contra a cultura do consentimento que protege personalidades e casos destes, não terá sido a mira apontada a Richardson no seguimento desta onda de indignação?

No domingo, o jornal britânico The Times questionava como é que Richardson ainda continuava a ter trabalho, depois de conhecido o escândalo que envolve o produtor cinematográfico Harvey Weinstein. O texto chama-lhe mesmo “Harvey Weinstein da moda” e cita uma ex-editora da revista i-D, Caryn Franklin, dizendo que o comportamento do fotógrafo é um tabu, conhecido de todos mas do qual ninguém fala: “As pessoas eram cautelosas… Todas conheceram alguém que conhecia alguma coisa.”

Na sexta-feira, o próprio Richardson publicou no site do Huffington Post uma carta onde diz querer corrigir os “rumores” sobre a sua conduta. Nela, o fotógrafo lembra que trabalhou com “mulheres adultas” que estavam conscientes do que lhes era pedido e que assinaram contratos claros sobre o trabalho que fariam com ele – diz que nunca obrigou ninguém a fazer algo que não quisesse.

Os boatos começaram em 2010 e à primeira machete marcas como a H&M, a Aldo ou a Target deixaram de trabalhar com o fotógrafo. Continuaram gigantes como a Valentino e já depois desse tempo, Richardson adicionou ao seu portfólio nomes como Hugo Boss, Gucci, Levi’s, personalidades como Barack Obama e artistas como Beyoncé, Lady Gaga ou Miley Cyrus – o fotógrafo foi o autor do vídeoclipe de “Wrecking Ball”, onde a cantora aparece nua, algo que mais tarde confessou que se arrependeu de ter feito.

Apesar do escândalo emergir agora, é importante notar que a polémica foi sempre uma constante na sua carreira. À imagem que construiu nos últimos anos de fotografia de celebridades e figuras da alta roda norte-americana junta-se o polémico trabalho do muitas vezes citado na internet como Old Terry, tempo em que as fotografias do americano eram ainda mais provocadoras e explícitas, e o fotógrafo aparecia habitualmente como protagonista sexual das suas fotografias.