Videovigilância e reconhecimento facial nas ruas de Moscovo

Nas ruas de Moscovo há 160 mil câmaras.

A videovigilância em locais públicos não é assunto novo – as principais distopias, como as de Orwell, fazem dela um elemento central nas narrativas sobre o olho vigilante do big brother. Mas a evolução tecnológica tem permitido avanços significativos em sistemas de reconhecimento facial. Agora, na Rússia, uma junção da vigilância em massa e do reconhecimento de caras em imagens está a invadir as ruas de Moscovo através de um circuito fechado com cerca de 160 mil câmaras, denominado CCTV.

A ideia está em testes há quase um ano e foram por estes dias revelados novos detalhes sobre o projecto, em entrevista ao The Verge, Artem Ermolaev, chefe do Departamento de Informação e Tecnologia, salientou que durante este período já foram feitas seis detenções recorrendo a esta nova táctica, revelando o potencial de utilização de ambas as tecnologias.

Estima-se que 95% das entradas de apartamentos estejam cobertos por este sistema que, no entanto, ainda não está totalmente funcional e pode ser focado em zonas de maior incidência criminal. A tecnologia de reconhecimento facial é providenciada pela empresa russa NTechLabs e, segundo avança Ermolaev na mesma entrevista, tem uma precisão de cerca de 30%, atendendo à fraca qualidade das imagens. Importa referir que nem todas as câmaras do sistema de CCTV estão apetrechadas com o software produzido pela NTechLabs que permite, conforme referido, identificar em tempo real caras que estejam em base de dados.

Apesar da expressão da notícia pela implementação massiva da medida, importa referir que os russos estão longe de ser pioneiros neste tipo de medidas. No Reino Unido esta tecnologia é frequentemente utilizada, por exemplo, no exterior de eventos desportivos. Um sinal de que o reconhecimento facial pode levar ao próximo aumento de vigilância a nível global.