Votar online? Governo português atento ao blockchain

Tecnologia pode vir a ser testada no Orçamento Participativo Portugal.

Foto de: Lusa

Votar online. É o sonho dos mais preguiçosos e poderia facilitar a vida a todos, desde as equipas administrativas à fiscalização e, claro, ao eleitor. Enquanto em alguns países, como a Estónia, a Alemanha ou a Austrália, votar online já é uma realidade, em Portugal o caminho a percorrer ainda é longo.

Contudo, parece existir vontade de mudança do lado do Governo português. Não ao nível de uma eleição autárquica ou legislativa, mas no âmbito de uma outra eleição que não exige tanta responsabilidade de voto – a do Orçamento Participativo Portugal, iniciativa de âmbito nacional através da qual os cidadãos podem conseguir que as suas ideias e projectos de interesse público sejam apoiados e executados pelo Governo.

Numa conferência recente, Maria Manuel Leitão Marques, ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, desvendou na sua apresentação um slide que suscitou o interesse do jornal económico ECO“Será possível utilizar tecnologia blockchain para registar votos online no OPP e garantir a integridade dos resultados finais?”, lia-se.

Foto de: Flávio Nunes/ECO

O que é que isto implica? O blockchain é uma tecnologia que permite que uma determinada base de dados seja partilhada por vários utilizadores e esteja constantemente a ser actualizada por estes. Dessa forma, a informação não está centralizada numa só entidade (num só servidor vulnerável), sendo pública e partilhada por todos – o que garante transparência e também segurança. O blockchain é uma rede P2P semelhante à da partilha de torrents; tem sido usada para as chamadas criptomoedas, nomeadamente o Bitcoin e o Ethereum.

Teoricamente, o blockchain é inviolável e pode ser uma boa solução para votações seguras e anónimas, como aconteceu de forma pioneira no Pixels Camp, um dos maiores e principais eventos de tecnologia em Portugal. Os contratos digitais que esta tecnologia permite seriam ideais para manter dados confidenciais dos cidadãos.

O Governo português está atento às novas tecnologias, como o blockchain, mas reconhece que é preciso experimentar tudo primeiro e só depois escalar estas inovações, conforme refere o ECO. Outra das questões levantadas pela Ministra tem a ver com os chatbots, algoritmos informáticos capazes de manter uma conversa com um humano e de executar operações, e uma aposta cada vez mais recorrente das plataformas de mensagens, como o Messenger ou o Skype. “Será possível substituir alguns serviços de atendimento online por chatbots?”, dizia o mesmo slide de Maria Manuel Leitão Marques.

Texto de: Miguel Melo
Editado por: Mário Rui André