Alugar pessoas para qualquer ocasião a partir de 50 euros/hora

O serviço que promete revolucionar as relações interpessoais chegou ao Japão.

Amor e atenção são necessidades inerentes a qualquer ser humano, e muitos de nós sentimos felicidade por ter alguém importante nas nossas vidas: um irmão, um amigo, um pai, uma namorada, alguém. No entanto, nem todos podemos ter o amigo que sempre quisemos, ou a namorada com que sempre sonhámos.

É com o objectivo de tornar a solidão algo do passado que surgiu a Family Romance, uma empresa japonesa criada por Ishii Yuichi que disponibiliza pessoas para os mais diversos propósitos. Se precisares de um date para um casamento, um amigo para parecer popular, um namorado para um jantar romântico, ou um pai para reconfortar a filha, a Family Romance oferece. A uma taxa média de 50 dólares por hora, a empresa disponibiliza pessoas para quaisquer ocasiões, dentro dos conformes da lei. Os clientes são responsáveis pela criação de um guião, uma personalidade que querem que a pessoa assuma. 

O slogan desta empresa, que conta já com 8 anos de existência, é “Mais do que real!”. Segundo o fundador, este simboliza o que a empresa procura oferecer: “Há menos problemas. Menos conflitos e mal-entendidos. O nosso cliente pode esperar o melhor serviço possível.” A Family Romance cria pessoas perfeitas para todas as situações, contando com uma força de trabalho superior a 800 colaboradores. “Qualquer preferência ou gosto pode ser personalizado: penteado, óculos, barba, sentido de estilo…. Gostas mais formal ou casual? Ele é carinhoso ou distante? Quando ele chega, deve ser falador ou cansado depois de um dia de trabalho?” explica Ishii, que diz que há momentos em que ele próprio questiona quem é. “Eu sou solteiro e não tenho filhos. (…) Há vezes em que chego a casa, sento-me em frente à TV, e dou por mim a pensar: Será que agora sou eu mesmo ou o actor?”

O Japão é um país conhecido pela sua impessoalidade característica, onde as relações pessoais são muitas vezes desprovidas de sentimento. Segundo o criador, esta é uma das principais razões para o sucesso do negócio. “Os japoneses são pessoas pouco expressivas, há um deficit de comunicação. Colocamos sempre os outros à frente dos nossos próprios desejos”.

Alguns destes trabalhos que Ishii e os seus associados levam a cabo duram anos, como o exemplo da senhora que o contratou para ser o “pai” da sua filha, papel que continua a desempenhar oito anos depois. Com efeito, Ishii considera que a Family Romance ajuda as pessoas a lidarem com perdas irreparáveis ou claras deficiências existentes nas suas vidas, alcançando alguma estabilidade.

“Uma mulher com um namorado não precisa de contratar um namorado. Um homem com um pai não precisa de contratar um pai. Trata-se de trazer equilíbrio à nossa sociedade.”

A criação de uma ligação excessiva entre o actor e o cliente é um problema presente nesta indústria. A solução passa por criar mecanismos de defesa e protecção, de forma a gerir expectativas e evitar desgostos afectivos. Os actores não podem partilhar informações pessoais e, tratando-se de um cenário “namorado e namorada”, por exemplo, não podem estar sozinhos numa sala, não pode haver beijos, nem sexo.

O amor não se compra, mas a ideia de amor está à venda por 50 dólares por hora, disponível a qualquer pessoa que queira sentir-se amada. Num mundo em que as aparências cada vez mais governam as massas, a Family Romance oferece tudo o que alguém possa querer…. Pelo menos, para inglês ver.

Texto de: José Miguel Biscaia
Editado por: Rita Pinto