“Reproduzam-se como coelhos”: uma recomendação do Governo da Polónia

Campanha pública pelo aumento da natalidade está a gerar polémica na Polónia.

Foi este o mote escolhido pelo ultra-conversador Governo polaco para a mais recente campanha de incentivo à natalidade, num país com 38 milhões de habitantes que tem uma das mais baixas taxas da Europa – 1,2 filhos por mulher.

O anúncio televisivo custou 700 mil euros ao erário e está a gerar polémica, com os críticos a condenarem a comparação “infantil” e “irresponsável”, defendendo, por sua vez, que o dinheiro gasto deveria ter sido aplicado noutras medidas mais sérias.

“Queres saber o nosso segredo? Em primeiro lugar, mexemo-nos muito. Em segundo, alimentamo-nos bem. Em terceiro, não nos preocupamos com coisas pequenas. E em quarto, não bebemos bebidas alcoólicas. Por isso, se queres ser pai segue o nosso exemplo. Sei do que falo. O meu pai teve 63 filhos”, conta o narrador/coelho, durante o piquenique de um casal de humanos.

Assustador? Um pouco, principalmente se pensarmos da ironia de um Governo de direita e extrema direita, mega conservador e nacionalista, recorrer a uma analogia destas para fazer uma comunicação à população. Mas os polacos não estão só a ser instados a fazer como os coelhos, para combater os fracos números de natalidade. O Governo PiS (Lei e Justiça) já tinha mexido na lei do aborto e limitado a venda da pílula do dia seguinte. Além da sugestão reprodutiva num anúncio de 30 segundos, o governo vai pagar um subsídio de 115 euros por mês e por filho e ajudas especiais para famílias numerosas. Medidas de um partido que eliminou os programas públicos de Procriação Medicamente Assistida.

Há quem não goste deste simpático anúncio e entendo os seus sentimentos, mas penso que alimentar a discussão sobre a baixa natalidade também é importante”, defendeu o ministro da Saúde, Konstanty Radziwill. A campanha de sensibilização recorreu aos coelhinhos para “não ofender ninguém” e passar a mensagem de forma que não seja “ordinária”.