8 dos 14 membros do Governo catalão presos preventivamente

O teor dos últimos desenvolvimentos precipitaram reações mais efusivas e quase todas críticas da acção do Governo Espanhol.

Esta quinta-feira fica marcada por um episódio do que, entre espanhóis e catalães, é conhecido como o “processo” – a prisão preventiva de oito membros do Governo que decretou a independência da Catalunha e foi posteriormente destituído.

A prisão ocorre sob a acusação de crimes de rebelião, e com o pretexto de risco de fuga e perigo de destruição de provas. Apesar de apanhar de surpresa a opinião pública, que se desabituou a prisões políticas no velho continente europeu, a acção do Ministério Público Espanhol já se fazia prever desde a semana passada, altura em que as instituições espanholas confirmavam a aplicação do artigo 155.

Entre os detidos está o Vice-Presidente do até há pouco Governo da Catalunha, Oriol Junqueras. Alé de Junqueras, Jordi Turull (ex-Ministro da Presidência), Raúl Romeva (Assuntos Internacionais), Josep Rull (Território), Dolors Bassa (Justiça), Meritxell Borrás (Cultura), Joaquim Forn (Interior) e Carles Mundó (Trabalho) apresentaram-se esta quinta feira perante a juíza Carmen Lamela da Audiência Nacional e receberam ordem de prisão sem possibilidade de fiança.

No meio desta história, há seis excepções. A primeira concedida pela juíza ao ex-Ministro responsável pelas Empresas, Santi Vila, que, por se ter demitido antes da declaração da independência, tem a possibilidade de sair em liberdade mediante o pagamento de 50 mil euros. As restantes foram forçadas pelos membros da Generalitat que permanecem em Bruxelas.

Entre elesm está Carles Puigdemont que continua activo e convicto, conforme revela a sua actividade nas redes sociais.

Em resposta, o Ministério Público espanhol já terá pedido à mesma juíza um mandado de captura europeu. Questionado sobre o assunto, Paul Bekaert advogado de Puigdemont, revelou a intenção do seu cliente em cooperar com as autoridades e entregar-se à polícia belga assim que for notificado oficialmente da emissão do mandado europeu. O Presidente demitido do Governo catalão continua a afirmar que volta a Espanha quando sentir reunidas condições para um tratamento justo.

O teor dos últimos desenvolvimentos precipitaram reacções mais efusivas e quase todas críticas da acção do Governo espanhol. Muitos foram os apoiantes do Governo destituído que se juntaram à porta do Parlamento catalão, mostrando mais uma vez a sua vontade e oposição às medidas do Governo central. A esta oposição popular juntam-se também outras vozes no mundo da política, nem todas elas até a favor da independência. A acção violenta do Estado espanhol está a mobilizar mesmo vozes que nunca foram totalmente a favor do processo como Pablo Iglesias, líder do Podemos, ou Alberto Garzón, da Izquierda Unida.

Não é só em frente ao parlamento que se ouvem os protestos, mas um pouco pelas ruas de toda a região da Catalunha. Por exemplo, na cidade de Tarragona as reacções podem ser testemunhadas no seguinte tweet: