Fablab francesa incendiada porque nem todos gostam da nova cultura digital

"Os gestores da cidade satisfazem as empresas com fome de dinheiro e os 'geeky geeks' ao abrir FabLabs em bairros modernos", lê-se no texto de reivindicação.

A cibercrime associamos um acto ilícito elaborado por especialistas informáticos no meio digital. Desta vez, os activistas digitais resolveram dar uma forma material a uma manifestação contra uma instituição pública francesa. Na noite de 20 de Novembro, deflagrou um incêndio com rastilho humano no Le Casemate, um centro de inovação sediado em Grenoble, França. Os danos foram consideráveis, tendo destruído por completo o showroom da instituição, o MediaLab e o FabLab.

Le Casemate foi rápido a agir e já declarou que vai voltar a reconstruir o edifício cientifico e a restabelecê-lo com as máquinas e a tecnologia necessária. À imprensa, anunciou que lançou uma campanha de crowdfunding para quem quiser a ajudar de uma forma mais imediata a reconstrução do FabLab, o mais urgente dos projectos. A ilustrar o espírito da instituição fica o sentimento de resiliência.

No final da semana, as expectativas de crime foram confirmadas. No site IndyMedia Grenoble, surgiu a reivindicação por parte dos promotores do incêndio, afirmando estes que o Le Casemate é uma “instituição prejudicial para a disseminação da cultura digital”. O texto não assinado apareceu num local associado a grupos de extrema esquerda e que no passado já tinha veiculado em primeira mão outros dois incêndios em Setembro e Outubro.

O texto de reivindicação, que já não está disponível online, expõe uma crítica incisiva ao FabLab da instituição e consequentemente à politica pública que a sustenta. Refere a redacção que os gestores da cidade satisfazem as empresas com fome de dinheiro e os ‘geeky geeks’ ao abrir FabLabs em bairros modernos”. Os autores da mensagem afirmam ainda que este tipo de centros “visam acelerar a aceitação e o uso social das tecnologias do nosso tempo desastroso”.

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