“Google, tu deves-nos!”: utilizadores acusam Google de roubo de dados

Em causa está um aproveitamento inadvertido de uma falha de segurança do Safari em 2011-12.

Embora a firmeza das tecnológicas pareça inabalável e cada vez mais premente na última década, continuam os fenómenos erosivos que procuram contrariar essa hegemonia. A maior parte das questões prendem-se com as restrições impostas aos concorrentes, as limitações de mercado ou a privacidade dos utilizadores e têm valido à Google, de quem hoje falamos, um passado recente rico em processos e diligências legais.

Depois do braço de ferro com a Comissão Europeia que terminou com a histórica multa de 2,4 mil milhões de euros à gigante detentora da popular Google, Alphabet, e de uma série de outros pequenos processos na mesma lógica, eis que agora surge, no Reino Unido, uma iniciativa popular queixosa quanto às práticas da tecnológica no que toca à proteção dos dados dos utilizadores de iPhone nos anos 2011 e 2012.

A iniciativa, espontânea, é liderada por um especialista em Direito do Consumidor, Richard Lloyd, e tem na sua base de suporte e conselhia, uma firma de advogados e vários profissionais da área e interessados no tema. Nasceu para denunciar o chamado “Safari Workaround” e avisar as potenciais vítimas do esquema que revelam de que a Google lhes deve, pelo menos, 300 dólares.

“Safari Workaround” é o nome dado à estratégia usada pela Google para, contrariando as definições de privacidade do browser Safari para iOS, obter inadvertidamente dados dos utilizadores.

Mas a mensagem da iniciativa Google You Owe Us* vai mais além. Para além de denunciar o que o grupo crê ser uma ilegalidade, são várias as notas e referências ao facto de esta ser a principal fonte de receita da Google, num aviso claro aos utilizadores sobre o destino do seu historial online.

Quanto ao caso específico, estima-se que tenha afectado 5,4 milhões de pessoas. Richard Lloyd terá sido um dos visados e será o representante legal da causa numa tentativa de provar que as grandes empresas não estão acima da lei.

O desfecho concreto deste caso é difícil de prever – especialmente no que toca a possíveis indemnizações –, mas o que é certo é que assim se cria mais um momento de pressão sobre uma grande empresa, forçando-a pelo menos a rever as suas práticas ou pelo menos a ser mais transparente na sua comunicação.

Por ser uma iniciativa espontânea e uma queixa em representação, Lloyd dará a cara por todos os que cumprirem os critérios expostos no site – sendo que nesse caso os utilizadores são convidados a registar-se para que, caso o processo vingue em tribunal, possam vir a ser ressarcidos do dinheiro que legalmente reclamam.