Lil Peep: a ascensão, queda e os vícios

O rapper tinha 21 anos e morreu esta madrugada de overdose.

Uma estrela em ascensão para uns ou um sintoma da decadência que as estrelas atingem para outros, Lil Peep tornou-se aos 21 anos uma vítima mortal da cultura de consumos desregrados e excessivos de que rapidamente se tornou um ícone.

Gustav Åhr, como constava na sua real identificação, foi nos últimos anos protagonista de uma das acensões mais meteóricas que a cultura popular tem memória, ocupando o espaço até aqui praticamente vazio que se criou no cruzamento entre o hip hop e a cultura emo.

Apesar de já ser uma estrela de dimensão mundial, graças ao sucesso de quatro dos seus singles, Lil Peep estava agora na tour de apresentação do seu primeiro trabalho de longa duração, depois de apenas 2 anos de carreira e um par de mixtapes que lhe valeram a adoração global.

A causa da sua morte, segundo reporta toda a imprensa internacional, terá sido o consumo excessivo de drogas, algo a que de certo modo fazia apologia quer nas suas músicas, quer na sua presença nas redes sociais. Outro tema frequente no seu trabalho e revelador de uma raíz mais profunda para as suas acções era a depressão.

Apesar da juventude, Lil Peep inovou ao trazer para o lado mais festivo do trap, uma carga emocional quase trágica – imperceptível até a alguns dos seus seguidores.

Horas antes da notícia da sua morte, o artista tinha colocado um video online onde se percebia a sua debilidade e confessava o consumo de Xanax mas que em nada fazia prever o desfecho.

EL PASO TX TONITE !!!! ITS ALIIIIIIVE!!!!

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Cocaína, ecstasy e xanax são algumas das substâncias que Lil Peep confessava abertamente consumir e que se suspeita que possam estar na origem da tragédia.

As reações à sua morte têm surgido de todos os quadrantes com uma toada transversal: todos reconhecem o imenso potencial artístico do jovem extravagante Gustav. De resto, não foi só na música que durante a sua curta passagem pelo estrelato Lil Peep deixou marca, também na moda as suas tatuagens infantis e o seu estilo absolutamente descomprometido inspirou à quebra de barreiras. A nível pessoal, as reações também são unânimes, com menções à sua boa disposição e genuinidade a repetirem-se entre testemunhos. Do lado popular e nas redes sociais, as principais mensagens são de alerta e de questionamento sobre a possibilidade de quem rodeava o jovem o ter ajudado mais cedo nesta espiral de consumos tóxicos e neste evidentemente perturbado estado de saúde mental.

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