Respirar em Nova Deli equivale a fumar 44 cigarros por dia

É uma das consequências da nuvem de poluição que se abateu na cidade de Nova Deli desde o início da semana.

Foto de: Rajat Gupta/EPA

A conclusão é de um estudo da organização ambientalista norte-americana Berkeley Earth. Hoje é o quarto dia seguido em que capital indiana, Nova Deli, está envolta por um manto de poluição que representa um perigo para a saúde pública, obrigando as autoridades locais a adoptarem mais medidas de prevenção.

Após o encerramento obrigatório de todas as escolas da capital indiana até ao final da semana, anunciado na quarta-feira, as autoridades locais decidiram estabelecer a circulação alternada de carros na cidade, medida a aplicar entre 13 e 17 de Novembro.

É a terceira vez que esta medida é colocada em prática, após duas tentativas experimentais que tiveram um impacto limitado em 2016. “A situação em Deli é terrível e se a poluição pode ser reduzida de alguma forma, nós iremos actuar”, declarou o ministro dos Transportes da região, Kailash Gahlot. A entrada de veículos pesados dentro da cidade também está proibida durante esta semana.

Para tentar atenuar os efeitos nocivos dos elevados índices de poluição atmosférica registados nos últimos dias, equipas de voluntários começaram igualmente a percorrer as ruas da capital indiana para distribuir máscaras de proteção das vias respiratórias. Mas, nem todos os habitantes são receptivos, como relatam as agências internacionais, com muitas pessoas a rejeitar as máscaras ou a ignorar os avisos dos voluntários.

Com uma população de cerca de 20 milhões de habitantes, Nova Deli, já comparada a uma “câmara de gás”, foi considerada, nos últimos dois anos, uma das cidades mais poluídas do mundo. O índice de qualidade do ar divulgado nos últimos dias pelas autoridades atingiu níveis sete vezes superiores aos valores que a Organização Mundial de Saúde considera como prejudiciais.

Com a aproximação do inverno, é comum que zonas do norte da Índia fiquem cobertas por uma espessa mistura de fumo e nevoeiro, causada por pó, queima de plantações, emissões de fábricas e queima de carvão e de pilhas de lixo, uma forma de a população mais pobre se aquecer.

As últimas medições do índice de qualidade do ar estimam que a concentração de partículas poluentes ultrapassam o limite da leitura e situam-se no nível grave. Uma situação alarmante, uma vez que estes fragmentos são altamente cancerígenos e obrigaram ao encerramento de escolas e outros serviços da cidade.