Snapchat revela redesign para escapar ao Instagram e às fake news

Evan Spiegel responde, assim, a Mark Zuckerberg, com uma redefinição da aplicação Snapchat.

Snapchat redesign

É difícil fugir aos números: o Instagram replicou o Snapchat e, em poucos meses, conseguiu superar a sua utilização. As Instagram Stories são hoje vistas por mais de 300 milhões de pessoas diaramente – cerca do dobro dos 17o milhões de utilizadores que tem o Snapchat. A estratégia da Snap Inc? Diferenciar-se como um escape ao Facebook.

Assim, o Snapchat anunciou esta quarta-feira um redesign da sua aplicação, que não se centra apenas numa mudança visual da aplicação, mas sobretudo num posicionamento mais distinto relativamente ao Instagram e Facebook. A câmara continua a ser a primeira coisa que aparece quando abres o Snapchat, mas agora os amigos passam a estar na janela do lado esquerdo (intitulada “Friends”), enquanto que publicações editoriais, influenciadores e pessoas que decidiste seguir ficam no lado direito no “Discover”.

A ideia, explica o CEO da Snap, Evan Spiegel, é separar o “social” da “media”, porque os amigos não são conteúdo, mas sim relações. “Uma das críticas que ouviste relativamente às redes sociais é que as fotos e vídeos dos teus amigos estão misturados com conteúdo das publicações, criadores e influenciadores”, explica o jovem executivo num vídeo onde explica o novo Snapchat em 60 segundos.

Num texto de opinião publicado no site Axios, Evan Spiegel explica que o Snapchat “começou como um escape às redes sociais, onde as pessoas podiam enviar fotos e vídeos aos seus amigos sem a pressão de gostos, comentários e performance”. Para o CEO da Snap, o Snapchat pode funcionar quer para manter o contacto com os amigos, mas também para saber sobre o que se passa no mundo e os temas que são do nosso interesse – estas duas actividades podem acontecer na mesma aplicação, mas precisam de estar em espaços separados.

No Discover, os utilizadores vão encontrar conteúdos de meios de comunicação social e de influenciadores, organizados por algorítimos que procuram dar, a cada pessoa, as melhores recomendações – a lógica é semelhante à do Netflix, que sugere determinadas séries a uns e outras a outros. Os conteúdos que os utilizadores decidirem seguir vão aparecer à frente das recomendações do Snapchat, que incluirão também histórias escolhidas por uma equipa interna da empresa. Não são moderadores, mas antes programadores com experiências editoriais que mantém um olho no que está a ser partilhado no Snapchat, garantindo que os utilizadores recebem diferentes formatos e histórias socialmente importantes.

“O feed de notícias personalizado revolucionou a forma como as pessoas partilham e consomem conteúdo”, escreve Spiegel. “Mas sejamos honestos: isto teve um custo enorme para o que são factos, para as nossas mentes e para todo o sector de media.” O executivo descreve as redes sociais como feeds curados por amigos, onde existe julgamento público e é difícil falar com os amigos mais próximos, e com um problema grande: fake news. “Conteúdo designado para ser partilhado por amigos não é necessariamente conteúdo designado para passar informação correcta. Afinal de contas, quantas vezes já não partilhaste algo que nem sequer leste?”, acrescenta.

“A solução do Snapchat passa por algoritmos baseados nos teus interesses – não nos interesses de ‘amigos’ – e por garantir que as empresas de media também obtém receitas do conteúdo que produzem para a plataforma Discover. Pensamos que isto ajuda a proteger das notícias falsas, revoltas sem cabeça ou distrações escusadas”, sintetiza Evan Spiegel.

O novo Snapchat vai chegar gradualmente a todos os utilizadores ao longo das próximas semanas, quer em iOS, como em Android.