O objecto estranho que atravessou o Sistema Solar já tem nome

O 1I/2017 U1, acabou por ser batizado de 'Oumuamua', uma expressão local para designar 'o primeiro mensageiro a chegar de longe'.

O seu avistamento deu-se entre o dia 18 e o 19 de Outubro deixando, desde então, a comunidade científica dedicada à observação celeste entregue à difícil missão de identificar o objecto que havia atravessado o sistema solar.

Cerca de 1 mês depois do acontecimento e depois de analisada toda a informação recolhida sobre o estranho corpo celeste invasor, começam a ser reveladas as primeiras pistas sobre as características que o asteróide – sabe-se agora a sua designação concreta – pode ter. Ao longo deste tempo foram recolhidos e investigados dados de 5 telescópios situados entre o Chile e o Hawai, local do avistamento.

A noção de que era um corpo estranho e um visitante de fora do sistema solar tornou-se evidente perante as primeiras observações – a captura nessa mesma noite de uma série de dados permitiu os investigadores determinar a posteriori características como a cor, o tamanho e parte da composição.

Dizer que é um asteróide adianta desde logo que se trata de um corpo rochoso, ao contrário da possibilidade de ser um corpo gasoso que nesse caso seria designado cometa. Outras informações recolhidas dão conta de uma estimativa do seu tamanho e forma. O Oumuamamua, como foi baptizado, terá cerca de 800 metros e a forma de um charro. Quanto à cor, confirma-se a ideia inicialmente avançada de que o corpo terá um tom avermelhado, muito graças à sua composição possivelmente metálica.

Todas estas novidades ainda não chegam para determinar ao certo a proveniência do 1I/2017 U1 (onde o I representa “Interestelar”) mas sabe-se agora com rigor e objectividade que terá sido de forma do sistema solar, contrariando a ideia de que podia ter tido origem na cintura de Kuiper.

A direção do movimento de rotação e o possível eixo, a capacidade de reflectir luz solar ou a órbita hiperbólica e sui generis que disferiu ao passar pelo nosso sistema foram alguns dos dados que aplicados conseguiram responder às perguntas mais prementes. A investigação no seu global não foi contudo no mesmo sentido.

A estranheza da forma e de todas as características está a deixar alguns investigadores pasmados pelo facto de o primeiro corpo a invadir o sistema solar – na nossa escala de conhecimento – ter características tão imprevisíveis. As leis do espaço que conhecemos e facilmente inferimos levam-nos a pensar em corpos arredondados com um núcleo central que exerce a energia gravítica e o mantém coeso – neste caso estamos perante um objecto alongado com dimensões que rondam os 800x80x80 metros.

1I/2017 U1, acabou por ser batizado de “Oumuamua”, uma expressão local para designar “o primeiro mensageiro a chegar de longe”, e promete relançar as bases para o pensamento interestelar. As noções de forma e densidade são para já as primeiras postas em causa pela passagem deste… charuto.

A sua proveniência é outro grande mistério – as dúvidas repartiam-se entre a Cintura de Asteróides, a Cintura de Kuiper ou a Nuvem de Oort mas as características agora sintentizadas não se assemelham com corpos avistados anteriormente dessas proveniências

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