Paradise Papers: o paraíso da fuga ao fisco

Implica nomes como o da Rainha de Inglaterra, de Conselheiros de Donald Trump e Justin Trudeau, Bono, Madonna e empresas como Apple e Nike.

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Ainda as conclusões sobre os Panama Papers não são totalmente conhecidas, já um novo lote de documentos sobre paraísos fiscais redirecciona a atenção de jornalistas e investigadores. Tratam-se dos Paradise Papers, 13 milhões de ficheiros tornados públicos pelo mesmo consórcio responsável pelas revelações anteriores, o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação.

Os documentos foram enviados ao mesmo jornal alemão para onde tinham sido enviados os Panama Papers, o Suddeutsche Zeitung, e reunem agora jornalistas de mais de 90 grupos diferentes sobre uma pilha de informação onde surgem nomes como o da Rainha de Inglaterra, Conselheiros de Donald Trump e Justin Trudeau e marcas como a Nike, a Uber ou a Apple. De Portugal, na investigação, juntam-se mais uma vez jornalistas do Jornal Expresso.

Paradise Papers: Secrets of the global elite

Today we release the Paradise Papers. Our network of more than 380 journalists have spent 12 months sifting through more than 13.4 million documents. Here's what they found: http://icij.org/investigations/paradisepapers #ParadisePapers

Publicado por The International Consortium of Investigative Journalists em Domingo, 5 de Novembro de 2017

No total são mais de 120 nomes com ligação à política, entre os quais 14 antigos líderes dos seus países. Sobre Portugal não apareceram até agora quaisquer referências concretas. O destaque vai para a verdadeira elite mundial com ligações que englobam, por exemplo, 13 pessoas do círculo próximo de Donald Trump, incluindo nomes bem conhecidos como Rex Tillerson, Steven Mnuchin, secretário do Tesouro, e Jon Huntsman, o novo embaixador dos EUA na Rússia.

As revelações não se ficam por aí, nem se limitam ao círculo norte americano. Ainda na política internacional e em matéria de nomes conhecidos do grande público surge Bronfman, o responsável pela angariação de fundos de Justin Trudeau.

De outros sectores surgem também personalidades de relevo como Bono e Madonna.

As informações provenientes de duas empresas, o escritório de advogados Appleby, com sede nas Bermudas, e da empresa Asiaciti Trust especializada na gestão de offshores, sediada em Singapura, expõe assim milhares de movimentos financeiros feitos através de contas offshore, algo que não configura necessariamente um crime. A gravidade de alguns destes casos surge pela promiscuidade de alguns movimentos. A rainha de Inglaterra, por exemplo, surge associada a uma empresa acusada de explorar os seus trabalhadores.

Apesar da pouca informação revelada indiciar a marginalidade dos casos nacionais, de referir que são 70 os nomes com ligação ao nosso país. Entre eles antigos administradores do BPN e de empresas do Grupo Espírito Santo.

A investigação surge sensivelmente um ano depois da maior investigação de sempre e já é a nova maior investigação de sempre – são 1.4 terabytes no total. Se no primeiro caso, dos Panama Papers, a sensação nacional acabou por ser de alguma inconsequência e mesmo a nível internacional o abalo não foi assim tão evidente, desta investigação – ou do cruzamento das duas – esperam-se conclusões mais reveladoras. A promiscuidade entre a política e os negócios a nível global fica a nu com estas revelações. Também as grandes empresas vêem algumas das suas estratégias de economia criativas reveladas e passíveis de um novo juízo – como são exemplos de destaque a Apple e a Nike ou os misteriosos investimentos de empresas estatais russas nas redes sociais Facebook e Twitter.

Podes saber mais sobre a investigação ou consultar a base de dados no site do consórcio de investigação encarregue do caso e que tem publicado durante o dia detalhadas reportagens sobre os mais relevantes movimentos finaceiros encontrados.

 

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