Paradise Papers: o paraíso da fuga ao fisco

Implica nomes como o da Rainha de Inglaterra, de Conselheiros de Donald Trump e Justin Trudeau, Bono, Madonna e empresas como Apple e Nike.

 
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Ainda as conclusões sobre os Panama Papers não são totalmente conhecidas, já um novo lote de documentos sobre paraísos fiscais redirecciona a atenção de jornalistas e investigadores. Tratam-se dos Paradise Papers, 13 milhões de ficheiros tornados públicos pelo mesmo consórcio responsável pelas revelações anteriores, o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação.

Os documentos foram enviados ao mesmo jornal alemão para onde tinham sido enviados os Panama Papers, o Suddeutsche Zeitung, e reunem agora jornalistas de mais de 90 grupos diferentes sobre uma pilha de informação onde surgem nomes como o da Rainha de Inglaterra, Conselheiros de Donald Trump e Justin Trudeau e marcas como a Nike, a Uber ou a Apple. De Portugal, na investigação, juntam-se mais uma vez jornalistas do Jornal Expresso.

No total são mais de 120 nomes com ligação à política, entre os quais 14 antigos líderes dos seus países. Sobre Portugal não apareceram até agora quaisquer referências concretas. O destaque vai para a verdadeira elite mundial com ligações que englobam, por exemplo, 13 pessoas do círculo próximo de Donald Trump, incluindo nomes bem conhecidos como Rex Tillerson, Steven Mnuchin, secretário do Tesouro, e Jon Huntsman, o novo embaixador dos EUA na Rússia.

As revelações não se ficam por aí, nem se limitam ao círculo norte americano. Ainda na política internacional e em matéria de nomes conhecidos do grande público surge Bronfman, o responsável pela angariação de fundos de Justin Trudeau.

De outros sectores surgem também personalidades de relevo como Bono e Madonna.

As informações provenientes de duas empresas, o escritório de advogados Appleby, com sede nas Bermudas, e da empresa Asiaciti Trust especializada na gestão de offshores, sediada em Singapura, expõe assim milhares de movimentos financeiros feitos através de contas offshore, algo que não configura necessariamente um crime. A gravidade de alguns destes casos surge pela promiscuidade de alguns movimentos. A rainha de Inglaterra, por exemplo, surge associada a uma empresa acusada de explorar os seus trabalhadores.

Apesar da pouca informação revelada indiciar a marginalidade dos casos nacionais, de referir que são 70 os nomes com ligação ao nosso país. Entre eles antigos administradores do BPN e de empresas do Grupo Espírito Santo.

A investigação surge sensivelmente um ano depois da maior investigação de sempre e já é a nova maior investigação de sempre – são 1.4 terabytes no total. Se no primeiro caso, dos Panama Papers, a sensação nacional acabou por ser de alguma inconsequência e mesmo a nível internacional o abalo não foi assim tão evidente, desta investigação – ou do cruzamento das duas – esperam-se conclusões mais reveladoras. A promiscuidade entre a política e os negócios a nível global fica a nu com estas revelações. Também as grandes empresas vêem algumas das suas estratégias de economia criativas reveladas e passíveis de um novo juízo – como são exemplos de destaque a Apple e a Nike ou os misteriosos investimentos de empresas estatais russas nas redes sociais Facebook e Twitter.

Podes saber mais sobre a investigação ou consultar a base de dados no site do consórcio de investigação encarregue do caso e que tem publicado durante o dia detalhadas reportagens sobre os mais relevantes movimentos finaceiros encontrados.

 

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