Quadro roubado aparece à venda na Dark Web

Venda secreta no novo mercado paralelo ou mais uma oportuna tentativa de fraude na dark web? As opiniões dividem-se.

Chief Ngatai-Raure by Gottfried Lindauer

A internet é reino de excelência para histórias que bem podiam começar por era uma vez, e esta é mais uma a comprovar.

Tudo começou no dia 1 de Abril deste ano, não num castelo mas no Centro Internacional de Arte da Nova Zelândia, com um carrinha a invadir o museu pela janela. A invasão que podia assemelhar-se a um trapalhão acidente revelou-se como arma de um estratégico assalto. Foram roubados dois quadros de um dos pintores neozelandeses mais conceituados, Gottfried Lindauer. E um deles tornou-se no mais recente mistério da Dark Web.

Passados alguns meses do assalto e com a investigação ainda em curso e sem pistas sobre os dois quadros, uma das pinturas, uma obra chamada Chief Ngatai-Raure, apareceu misteriosamente a leilão no White Shadow, um dos muitos sites de marketplaces da dark web.

http://www.wired.co.uk/article/painting-stolen-new-zealand-sale-gottfried-lindauer-chief-ngatai-raure

“Here you can bid on an [sic] TOP SECRET original Painting from Bohemian painter Gottfried Lindauer that was stolen in New Zealand, Auckland 2017”

Como é habitual nas transações neste mercado, chamemos-lhe assim, também este negócio se faz em bitcoins. O preço para compra imediata ronda os 560 mil euros – feita a conversão – e até agora teve apenas duas licitações de metade do valor estabelecido.

O vendedor que se apresenta com o username Diabolo afirma a veracidade da pintura e faz questão de mencionar que o negócio não é para toda gente “só para pessoas ricas e colecionadores (talvez governos 😉 )” lê-se num comentário obtido pela revista WIRED.

A mesma publicação chegou a fala com o vendedor, através do serviço de mensagens do mercado, para tentar confirmar a veracidade do quadro e tudo o que recebeu em troca foi uma nova fotografia com um post it com a data. Ainda segundo a WIRED, Diabolo afirma não ter sido o autor do crime nem saber quem foi, acrescentando que tem o quadro há apenas 3 meses e o motivo da venda: “Queremos o dinheiro e não gostamos.”

Ao ser confrontada com esta história, Hamish Coney, responsável pela gestão do museu revela as suas desconfianças quanto à veracidade da peça. A principal diferença, aponta Coney, está na moldura dourada diferente da original e no estado de conservação quase aparente desta peça.

A primeira pessoa a sinalizar a venda da peça no mercado paralelo foi Jim Wheeler, CEO da ReSolve Cyber, uma empresa de soluções tecnológicas para o mercado financeiro que durante uma pesquisa ficou surpreendido por encontrar uma obra de arte à venda na Dark Web.

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