Tudo o que aconteceu este sábado na Arábia Saudita

Mísseis e detenções inesperadas marcaram este sábado no reino da Arábia Saudita e para o mundo.

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Numa noite atípica para as lides do ocidente, este sábado ficou marcado por duas notícias alarmantes vindas da Arábia Saudita. Dois acontecimentos para os quais a história ainda não encontrou nenhuma lógica, agitaram ontem a ordem do reino (sim, reino) da Arábia Saudita.

A primeira notícia do dia chegava a Portugal a tempo de abrir as magazines informativas da hora de jantar e dava conta da intercepção de um míssil balístico apontado e disparado, alegadamente por ienemitas, em direção ao Aeroporto da capital saudita, Riade. O disparo entretanto já reivindicado pelos rebeledes Houthis no Iémen, surge na sequência de anos de conflitos tripartidos neste país entre Revolucionários, Forças Governamentais e núcleos terroristas. Os Houthis, alegados autores do disparo, fazem parte do primeiro grupo que, sob a acusação de apoio do Irão e da Rússia, tem sido severamente oposto pelas tropas norte-americanas – acusadas de usar neste país de forma massiva os assassinatos por drones.

A título de ilustração da triste situação ienemita, uma reportagem do NY Times não deixa margem para qualquer dúvidas da vergonha que os sauditas e americanos deviam sentir. O país vizinho do reino tornou-se epicentro do conflito alargado entre sunitas e xiitas e desde então os números são assustadores: morre uma criança a cada 5 minutos, 2 em cada 3 ienemitas não sabe quando será a sua própria refeição. No sentido inverso e abundante está o fornecimento de armas para o local com os Estados Unidos e o Reino Unido a surgir destacados, numa  lista com países como Espanha, França, Suiça, Canadá, Alemanha, etc.

Quanto ao desfecho da situação, não terá provocado qualquer morto ou ferido. A força militar saudita terá feito o engenho explodir a alguns quilómetros do aeroporto. Os destroços do míssil ainda terão chovido sobre Riade mas sem provocar qualquer dano material ou humano. Não deixa, no entanto, de ser um sinal da escalada incessante deste conflito.

A segunda notícia chegou mais tarde mas nem por isso foi menos surpreendente, porque não é nada que pudéssemos esperar vindo da Arábia Saudita. Onze príncipes, quatro ministros e dezenas de ex-ministros foram surpreendentemente detidos, horas depois da criação do comité anti-corrupção criado por Rei Salman Bin Abdul e presidido pelo seu herdeiro Mohammad Bin Salman.

“O comité irá identificar delitos, crimes, pessoas e entidades envolvidas em casos de corrupção pública, Irá investigar, emitir mandados de detenção, proibições de viagens, divulgar e congelar contas, rastear fundos bens e evitar as remessas ou transferências de pessoas e entidades” refere num dos primeiros comunicados o Comité, sustentando assim a primeira leva de detenções.

Em marcha está também a reabertura de dois processos de investigação sobre calamidades no reino saudita, nomeadamente as inundações em 2009 ou o surto de coronavírus em 2012 e 2015.

Paralelamente, e mais uma vez, numa decisão que pode ou não estar relacionada com as anteriores, Bin Salman também renovou os quadros das suas autoridades com uma série de substituições nos principais cargos.

Entre os detidos está um dos sauditas mais conhecidos do ocidente, o multi-milionário Alwaleed bin Talal, considerado em 2016 o 41º homem mais rico do mundo e detentor de acções de empresas como o Citigroup ou o Twitter.

Nos dias que se seguem esperam-se novidades quer num, quer noutro caso. O segundo, pelo seu carácter menos pontual, é o que está a deixar a comunidade internacional mais expectante e reactiva. Para se perceber o impacto que as detenções podem ter, basta olhar para a abertura em queda do mercado bolsista saudita.

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