Ex-presidente do Facebook admite que rede social explora as nossas vulnerabilidades humanas

Sean Parker referiu que o serviço "muda literalmente a nossa relação com a sociedade" e que "provavelmente interfere com a produtividade de formas estranhas".

 
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Antes de Mark Zuckerberg era Sean Parker quem mandava no Facebook. Parker, que tinha experiência com redes sociais porque previamente tinha trabalhado na Friendster, foi o primeiro presidente da empresa que hoje gere dados de mais de 2 mil milhões de pessoas em todo o mundo e que tem um peso substancial nas suas relações. De acordo com Peter Thiel, o primeiro investidor do Facebook, Parker foi o primeiro a ver potencial na empresa para ser “realmente grande” e que, “se Mark chegou alguma vez a pensar melhor, foi Sean quem o voltou a por no sítio”.

Numa entrevista recente ao site Axios, Sean Parker, 38 anos e actual fundador de um instituto contra o cancro (o Parker Institute for Cancer Immunotherapy), falou de como o Facebook se aproveita da psicologia humana. Referiu que o serviço “muda literalmente a nossa relação com a sociedade” e que “provavelmente interfere com a produtividade de formas estranhas”. E acrescentou: “Só Deus sabe o que está a fazer aos cérebros das crianças.”

“Quando o Facebook estava a começar, havia pessoas que vinham ter comigo e diziam ‘não estou nas redes sociais’. E eu responderia: ‘Ok, mas sabes, vais estar’. E depois eles diriam: ‘não, não, não. Eu valorizo as interacções na vida real, valorizo o momento, a presença, a intimidade’. E eu respondia: ‘vais estar eventualmente'”, disse. “Não sei se percebia bem as consequências do que estava a dizer.”

O principal objectivo do Facebook é conseguir e manter a atenção das pessoas, acrescentou. “O processo mental por detrás da criação destas aplicações, o Facebook foi a primeira delas,… foi: ‘como é que consumimos o máximo de tempo e atenção consciente possível?’.”

“E isso significa que precisamos dar uma pequena dose de dopamina de vez em quando, porque alguém gostou ou comentou uma foto, um post ou qualquer outra coisa. E isso vai levar-te a partilhar mais conteúdo, e isso vai levar a… mais gostos e comentários”, explicou. “É um loop de feedback de validação social… exatamente o tipo de coisa que um hacker como eu criaria, porque estou a explorar uma vulnerabilidade da psicologia humana.”

Parker referiu que os inventores de redes sociais, como ele, Mark Zuckerberg ou Kevin Systrom (do Instagram), “percebem conscientemente” o que estão a fazer. “Mas fazemo-lo na mesma.”

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