Spotify diz-te que personagem de Stranger Things és

E as músicas que cada uma delas ouve!

O portal para o outro mundo está aqui. Ao entrares, o Spotify e os criadores de Stranger Things prometem virar o teu dia upside down com um teste que te diz com que personagem da série mais te identificas, analisando o teu gosto musical. Na verdade, não é bem um teste. O serviço de streaming olha para o teu perfil, para o que costumas ouvir, e associa-o às playlists que criou para cada uma das personagens. De seguida, faz um match e tu ganhas duplamente: ficas com tua persona Stranger Things e com a possibilidade de te sentires um pouco mais nos seus sapatos.

Se te calhar o Lucas, por exemplo, como a mim, terás aquela que é talvez a playlist mais funky de todas. Chama-se Lucas’ Bike-Around Tracks e inclui Frank Ocean, Childish Gambino ou Chance, The Rapper.

Independentemente da personagem que te é atribuída, tens liberdade para ouvir a banda sonora da vida de qualquer uma. Vamos até à Eleven e à sua Eleven’s Breakfast Jams – uma playlist para amantes de Egoos e miúdas rebeldes com poderes teleinéticos. Começa – obviamente – com “Papa Don’t Preach” de Madonna mas por lá passam também nomes como Patty Smith, Lorde ou os Yeah Yeah Yeahs com “Heads Will Roll”.

A do Mike é provavelmente a mais eclética de todos. Synth-pop carregado de baixo para uma sessão de Dungeons & Dragons. Uma chapada de anos 80 com destaque para a primeira da lista, “Smalltown Boy” dos Bonski Beat, que assenta neste perfil melancólico apaixonado do Mike da temporada 2 que nem uma luva.

A do Dustin é o que se esperava. Chama-se Dustin’s Curiosity Door Jams, inclui “canções para ouvir quando fazes uma viagem da curiosidade aprovada pelo Mr. Clarke”, e é bastante heterógenea. O que as músicas têm em comum é elementos nerdy nos títulos das músicas – não sabíamos que havia tantas músicas com a palavra “ciência” no título. De Talking Heads, a Temper Trap, passando por Beasty Boys, começa em grande com um um literal “Break On Through (To The Other Side)” dos The Doors.

O Will é mais dado ao Rock clássico, com a “Walk on The Wilde Side” de Lou Reed a deliciar-nos com referências óbvias à vida da personagem, uma de Elton John para nos provar que Will sobrevive a tudo e uma passagem por The Strokes para abanar o penteado à tigela.

A Mad Max junta os clássicos do 80s Punk com o Surf Rock da California, o Jonathan, que já na série é conhecido por passar o tempo a fazer playlists em cassetes, aparece-nos como o embaixador dos hinos solitários para uma personalidade angustiada. Jet e The White Stripes falam da sua panca por Nancy, a sua veia de outsider looking in fica entregue ao som dos Radiohead ou de Echo & The Bunnymen. Já com Nancy, a playlist foi escolhida a pensar no seu lado de heroína que carrega armas e protege os mais novos. Chama-se Nancy’s Slaylist e é um desfile de divas como Diana Ross, Daya, Cher ou as Destiny’s Child.

Há lista de músicas até para os Demogorgons (a mais sombria, cheia de Death Metal), para a mãe Joyce e a sua festa de Halloween, uma contemplativa para o Chefe Hopper (para quem gosta de conduzir à noite e de Rock Americano tipo Johnny Cash ou Bruce Springsteen), uma inspirada no cabelo perfeito de Steve com hits Yuppie de ontem e de hoje, e outra para o recém chegado Billy, com as mullets dos Aerosmith ou Van Halen.

O bom gosto de praticamente todas as personagens não é surpresa, se pensarmos na série de que estamos a falar. Difícil era sairmos desiludidos com alguma das listas. Aliás, mesmo fora da luz dos holofotes, o elenco de Stranger Things já tinha provado ser uma elite melómana. Finn Wolfhard, que interpreta Mike, por exemplo, aparece em videoclips dos Pup, tem uma banda de covers de Pixies e já tocou ao vivo com Mac Demarco. Joe Keery, que interpreta Steve, tem uma banda de Psych Rock chamada Post Animal – uma espécie de Tame Impala que vale a pena ouvires. Cada aparição de Millie Bobbie Brown num talkshow é pretexto para mostrar as suas rap skills e já protagonizou um vídeo de Sigma. Até o Gaten Matarazzo (Dustin) e o Caleb McLaughlin (Lucas) sabem cantar a dançar (alguém no YouTube se deu ao trabalho de compilar tudo para ti).

Quando achávamos que a série não podia melhorar mais, a Netflix e o Spotify juntam-se para adensar mais ainda a realidade de um universo ficcional que já era dos mais completos e bem constuídos dos últimos anos.