Texas: e quem salva os americanos dos americanos?

26 pessoas perderam a vida e 20 ficaram feridas, em mais um atentado nos Estados Unidos sem um estrangeiro para se culpar.

Tiroteio Texas
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26 pessoas perderam a vida numa igreja batista em Sutherland Springs, no Texas. O autor dos disparos fatais foi identificado como sendo Devin Patrick Kelley e por se tratar de um assassino branco o caso volta a merecer a prosaica descrição de “tiroteio.”

Os “thoughts & prayers” voltam a estar com as vítimas numa resposta puramente emocional e que ignora a resposta política que o padrão emergente exige. O fácil acesso a armas de vários calibres, uma sociedade profundamente desigual marcada por extremadas de posições políticas, e a exploração táctica de ódios são o substrato de onde surgem sociopatas com planos maquiavélicos e sem dificuldade em operacionalizá-los.

Nova Iorque – 31 de Outubro

Texas – 6 de Novembro

O baixo escrutínio que o seu perfil social provoca não só altera a designação do seu crime como o livra de suspeitas mesmo das pessoas mais próximas. Ainda que não haja confirmação oficial, calcula-se que Devin possa ter disparado sobre os fiéis com uma arma que dias antes tinha orgulhosamente mostrado no Facebook. Uma semi-automática passível de se encontrar à venda nos Estados Unidos por cerca de 700€, com um perfil de disparo semelhante ao verificado.

O ataque no Texas surge pouco mais de um mês depois de Stephen Paddock ter protagonizado algo semelhante e deixa a nu a fragilidade de um sistema norte-americano paranóico na segregação de estrangeiros e incompetente na sua política social. Se em resposta a ataques menores, Donald Trump & Cia foram prontos a responder com hipóteses legais e políticas, aqui é notório o desinteresse da classe política em discutir o assunto. Em causa está, sobretudo mas não exclusivamente, a 2ª emenda da constituição norte-americana que permite a compra e o porte de armas quase indiscriminado.

Donald J. Trump que fez do ódio o seu combustível e da sociedade profundamente dividida o seu reinado, apontando o racismo e a segregação racial como o caminho para a Great America, vê-se agora confrontado com a realidade dos factos em mais um ataque terrorista cometido por um americano branco.

Devin Kelley de apenas 26 anos matou 26 pessoas e feriu mais 20, quando à luz do quadro de suspeitas tradicional norte-americano nada o fazia prever. Tornou-se o autor do massacre mais dramático da história do Texas e, até ao momento, são desconhecidas as suas motivações. No seu perfil conhecido pelas autoridades de registar apenas a sua passagem pela Força Aérea, de onde acabou expulso, e algumas queixas de violência doméstica. Acabou abatido dentro do seu carro enquanto tentava fugir do local do crime.

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