Há um enigmático “vazio” dentro da Grande Pirâmide do Egipto

Um grupo internacional de arqueólogos descobriu uma nova estrutura no interior da Pirâmide de Quéops, em Gizé, revela um estudo publicado pela revista "Nature".

Foi através de um método de captura de imagem baseado em raios cósmicos que um grupo de cientistas do Japão, França e Egito, detectou uma gigantesca e enigmática estrutura na Grande Pirâmide de Gizé, nos arredores do Cairo.

A descoberta foi anunciada esta quinta-feira, apesar de esta conquista permanece um mistério. É que os investigadores não sabem qual o propósito, o que contém ou as dimensões do espaço que apelidaram de “vazio” ou “cavidade”, dentro da pirâmide.

Para ter acesso ao interior da pirâmide – que foi construída como um túmulo monumental cerca de 2560 anos antes de Cristo – os cientistas recorreram a um dispositivo de imagiologia que utiliza raios idênticos aos raios-X, mas mais profundos, capazes de penetrar a rocha. Chama-se tomografia de muões e é capaz de seguir as partículas que bombardeiam a terra quase à velocidade da luz e penetram de forma profunda nos objectos sólidos.

Mas porque é que esta é uma descoberta importante? O que é que se sabe até agora? Os cientistas têm a certeza que a estrutura interna tem pelo menos 30 metros de comprimento e está localizada acima de uma entrada que mede cerca de 47 metros, chamada Grande Galeria, e que é uma de várias passagens e câmaras dentro da pirâmide. Os investigadores asseguram ainda que esta constitui a primeira grande estrutura interior descoberta na Grande Pirâmide desde o século XIX.

“Aquilo de que temos certeza é de que este grande vazio existe, é impressionante, e que não era perspectivado por nenhum tipo de teoria de que eu tenha conhecimento”, disse Mehdi Tayoubi, o presidente e co-fundador do instituto HIP, em França, um dos líderes do estudo publicado agora na revista Nature. “Abrimos a questão aos egiptólogos e arqueólogos: o que poderá ser?”, acrescentou Hany Helal, da Universidade do Cairo. “Pode ser uma parte de um conjunto de uma ou várias estruturas… talvez uma outra “Grande Galeria”. Pode ser uma câmara, pode ser um monte de coisas”, rematou.

A descoberta agora divulgada resulta de um projecto chamado “Scan Pyramids“, que recorre a tecnologia não invasiva de captura de imagem para averiguar a estrutura interna das pirâmides do Antigo Egipto e procura compreender como foram construídas. Os muões, aqui usados, são partículas que resultam da interacção entre os raios cósmicos do espaço e os átomos da atmosfera terrestre, e conseguem penetrar centenas de metros dentro de pedra antes de serem absorvidos. Colocando detectores dentro de uma pirâmide, é possível determinar espaços vazios dentro daquela estrutura sólida, sendo visível uma espécie de maquete do local.

A Grande Pirâmide foi construída durante o reinado do Faraó Quéops, ou Khufu, em egípcio e é uma das 7 maravilhas do mundo antigo. Tal como outras construções semelhantes, é notável pela sua beleza simples e grandeza colossal. O monumento mais emblemático de uma das grandes civilizações da antiguidade.

Relembra aqui, a descoberta divulgada no final de Setembro, sobre como foi afinal construída esta mãe das pirâmides e aquele que é o monumento mais emblemático de uma das grandes civilizações da antiguidade, com uma altura de 146 metros – era a mais alta estrutura construída pelo Homem até à Torre Eiffel, em Paris, em 1889 – e uma base mede 230 metros.