O jogo que está a chatear a extrema-direita, Wolfenstein II

The New Colossus tem como premissa uma revolução socialista liderada por uma mulher afro-americana.

Quando o primeiro jogo da saga Wolfenstein foi lançado em 1992 a premissa era simples: o jogador assume o papel de um espião norte-americano que foi capturado por nazis e tem de escapar de um bunker. 25 anos depois, a história no novo título assume proporções avassaladoras. Em Wolfenstein II, The New Colossus, a Alemanha Nazi saiu vitoriosa da 2ª Guerra Mundial, tendo inclusive colonizado os Estados Unidos da América, deixando o controlo das suas ruas nas mãos do Kun Klux Klan.

Ora num mundo onde toda a gente tem uma opinião sobre tudo e mais alguma coisa, não é de admirar que um jogo com uma narrativa tão forte fosse alvo de crítica social. Basta correr a caixa de comentários no Youtube ao video de lançamento de Wolfenstein II, revelado na E3 de 2017.

Vemos comentários de todas as índoles, mas são os de natureza extremista que mais preocupam. Desde comentários mais leves e directos…

 

… a comentários mais extensos e agressivos.

Uma saga de comentários que continua no Twitter de Wolfenstein. Pelo meio existem ainda aqueles que demonstram alguma preocupação com as escolhas das plataformas de lançamento, como é o caso da Switch, a consola lançada este ano pela Nintendo, uma empresa conhecida por desenvolver conteúdo maioritariamente family friendly.

A mente por trás da história, Tommy Bjork, admite alguma surpresa perante a reacção do público, com especial enfoque na extrema direita. Conta que a o guião começou a ser escrito em 2014, dois anos antes da eleição de Donald Trump, um marco político que acabou por servir de apoio ao ressurgimento de movimentos sociais de extrema direita no Ocidente. Aconteceu o jogo ser lançado um ano após a sua eleição.

Bjork assegura que, apesar da empresa produtora do jogo, Bethesda, já ter decidido que iria atacar o mercado dos videojogos norte-americano, grande parte da inspiração assenta na corrente neo-nazi que assombrava a Suécia nos anos 80.

O director das Relações Públicas da empresa, Pete Hines, reforça a ideia de que Wolfenstein II tem uma clara mensagem anti-nazismo e que, a menos que sejamos assumidamente nazis, não existe qualquer motivo para nos opormos à ideia de ser contra o nazismo, sejamos republicanos, democratas, liberais ou conservadores. Hines não hesita quando confrontado com a possibilidade de estar a remexer num vespeiro encabeçado por Donald Trump, contrapondo que o vespeiro é composto apenas por nazis e que não tem qualquer problema de remexer.

A crítica da extrema direita pode parecer quase paradoxal. Porque razão haveriam de criticar uma narrativa onde a Alemanha Nazi subjugou as restantes potencias mundiais? A resposta reside em dois aspectos distintos. Na agenda anti-nazi do herói do jogo, William “B.J.” Blazkowickz, encontramos o primeiro e que incita a mais indignação. O facto de William, o herói ser uma clara personificação do mundo livre e combater um regime “opressor” chateia muita gente que simpatiza com a visão que Hitler tinha para a Alemanha – as aspas representam a interpretação da extrema direita face ao regime Nazi, calma!

O segundo momento reside no facto de a revolução social do jogo ser encabeçada por Grace Walker, uma mulher afro-americana, que por acaso tem um ódio de estimação por Nazis – e homens brancos no geral. O que agrava a crítica é a base política socialista desta revolução, um claro antagonismo face à mentalidade capitalista norte-americana. Debra Wilson dá voz a Grace, e tendo já composto o elenco de Mad Tv, a sátira política não lhe é estranha. Questionada sobre a polémica, respondeu com uma visão mais leviano afirmando que Wolfenstein II não passa de um excelente e jogo que as pessoas devem apreciar, independentemente da sua orientação política.

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