Activistas invadiram lojas da Apple e gritaram: “paguem os vossos impostos” 

Em França, exigiram mais transparência fiscal à Apple. Tecnológica respondeu com a promessa de uma reunião.

Já se sabe que os franceses são rápidos a reagir aos grandes temas que mexem com as suas vidas. Assim foi em momentos marcantes da história passada, em algumas manifestações do presente e em pequenos e pontuais acontecimentos de que vamos dando nota. Há duas semanas reportámos o fogo posto num FabLab numa acção de activistas contra a proliferação de uma cultura digital que consideram injusta; agora falamos de uma reacção diferente, mais proporcional mas demonstrativa da atitude atenta e pragmática dos franceses.

Um grupo de activistas coordenados e espalhados por várias cidades francesas invadiram cerca de 30 lojas da Apple, gritando “paguem os vossos impostos”, numa alusão aos 13 mil milhões de dólares que a tecnologia deve à União Europeia.

O movimento surge como tentáculo de uma campanha integrada de recolha de fundos para acção judicial contra a empresa americana. A frase “paramos quando a Apple pagar” foi outras das que se puderam ler em cartazes numa das principais lojas Apple em Paris.

O grupo Association for the Taxation of Financial Transactions and Citizen’s Action organization (Attac) recupera, assim, um tema que tem sido caro às tecnológicas, dando sequência a movimentos de cidadãos que por toda a Europa já se manifestaram contra a marca da maçã pela sua falta de transparência fiscal.

A exigência é simples e a porta voz do grupo, Aurelie Trouve, foi peremptória em declarações à AFP: “Queremos que a Apple pague os impostos devidos nos países onde opera”, disse. Na mesma entrevista, o grupo revelou já ter tido resposta da Apple com a promessa de uma reunião, aproveitando para deixar um recado: “Se essa reunião não acontecer, voltamos antes do Natal.”

Em Agosto de 2016, as autoridades europeias revelaram que a tecnológica da maçã devia pelo menos 12 mil milhões de euros por um acordo fiscal extraordinário com o Governo irlandês. Mais recentemente, os Paradise Papers voltaram a trazer à tona as estratégias da empresa para escapar a impostos nos países onde opera, recorrendo para isso a paraísos fiscais e acordos extraordinários duvidosos e ilegais.

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