Cards Against Humanity dão uma de Robin Hood e oferecem dinheiro

O Cards Against Humanity angariou 10 mil dólares num crowdfunding e decidiu redistribuir o dinheiro pelos 150 mil apoantes. Os mais pobres receberam mais.

Podem chamar-se “Cards Against Humanity” mas contra a humanidade parecem ter pouco. É em épocas de consumo extraordinário, como o Natal, que o Cards Against Humanity deixa de ser um simples jogo de cartas e aproveita para nos passar mensagens humanamente importantes, por exemplo sobre os desequilíbrios no acesso a cuidados de saúde.

A malta do Cards Against Humanity decidiu pegar numa lista de pessoas com menores rendimentos e praticar uma acção ao estilo de Robin Hood, isto é, redistribuir dinheiro. Onde é que foi buscar esse dinheiro? Em Novembro, pediu aos fãs que doassem 15 dólares para ajudar a comprar um pedaço de terra no meio da fronteira entre os Estados Unidos e o México, o que complicaria os planos de Trump de construir um muro. O que não lhes disse é que o dinheiro angariado nesse crowdfunding – intitulado “Cards Against Humanity Saves America” – iria ter outro uso, diferente daquele que esperavam.

Cerca de 150 mil pessoas entraram no “Cards Against Humanity Saves America”, resultando numa angariação de 10 mil dólares e de informação sobre cada um dos apoiantes da campanha. Com esse dinheiro nas mãos, o CAH decidiu redistribuí-lo por todos os contribuídores. A maioria deles – 140 mil – não recebeu nada. Os apoiantes com os rendimentos mais baixos – classificados como “os mais pobres” – foram surpreendidos com um cheque de mil dólares. Já “os menos pobres” receberam os 15 dólares que tinham investido.

No site cardsagainsthumanityredistributesyourwealth.com, foram publicadas algumas histórias de pessoas que receberam o cheque de mil dólares do Cards Against Humanity. Escrevem que o valor vai ajudá-los a pagar despesas domésticas ou facturas de saúde.

Como é que o Cards Against Humanity determinou os mais pobres e os mais ricos? Olhou para algumas informações que, durante o crowdfunding, foram pedidas aos apoiantes. Por exemplo, quem descrevesse a sua saúde como fraca ou débil, quem tivesse dívidas ou quem dissesse ser fumador (este é um hábito extremamente correlacionado com pobreza) seria mais facilmente classificado como “pobre”. O Cards Against Humanity analisou ainda dados dos censos, com os endereços postais das pessoas, e tentou estimar os rendimentos a partir da etnia, do género e do nível de educação dos apoiantes do crowdfunding.

Por falar em crowdfunding, nós no Shifter estamos a fazer um.

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