Eminem, o Deus do Rap voltou mas desiludiu

Embora Revival seja uma desilusão para a maioria dos ouvintes, Eminem continua apresentar-se como um dos maiores liricistas da actualidade.

Passados quatro anos desde o lançamento de Marshall Mathers LP 2, Eminem volta à pole position do panorama musical americano. Revival, o nono álbum na carreira de Eminem, foi oficialmente lançado no dia passado dia 15 de dezembro (dias antes já rodava um leak). Com carimbo da Shady /Aftermath / Interscope, apresenta-se como o álbum mais mainstream e menos coerente da carreira do artista.

O novo trabalho de Eminem vinha a ser antecipado desde 2016 mas as notícias do regresso do deus do rap ganharam novo fulgor quando o rapper destruiu o “avô racista”, Donald Trump, através de um Freestyle nos BET Awards, no passado mês de Outubro. A partir desse momento seguiu-se uma inteligente campanha de Marketing por parte da editora de Eminem, antevendo o lançamento de Revival. No entanto, o Marketing utilizado na comunicação do disco ultrapassou os limites e foi utilizado na construção das faixas. O novo disco do rapper de Detroit é composto por 19 faixas, longo, à semelhança dos anteriores trabalhos de Eminem, e conta com as participações de alguns dos nomes mais badalados da música pop americana, como Beyoncé, Phresher, Ed Sheeran, Alicia Keys, X Ambassadors, Skylar Grey, Kehlani e P!nk.

O facto de apresentar sobretudo artistas pop em detrimento dos expectáveis rappers, como tanto ansiavam os ouvintes, criou bastante desilusão após o lançamento da tracklist, e a audição do álbum veio consagrar esse mesmo desagrado.

Apesar de Eminem já ter declarado publicamente que é fã do trabalho de alguns rappers da nova geração como Kendrick Lamar, o seu novo álbum não tem nenhuma participação de relevo dentro do panorama Hip Hop, vivendo muito do aprimorar das características do próprio rapper, nomeadamente no que toca à escrita e às colaborações pop, que nada acrescentam ao disco para além de meia dúzia de refrões aborrecidos.

Algumas faixas parecem ser autênticas sequelas de músicas anteriormente lançadas pelo rapper. O tema “River”, com Ed Sheeran, é um bom exemplo disso mesmo. Mal começa a cuspir as primeiras barras, “Love The Way You Lie” ou “Monster” vêm-nos à cabeça. Outras parecem caídas do céu, como “Framed”, que, apesar de ser das músicas mais groovy do álbum, encontra-se deslocada do resto do disco.

Ao longo de Revival, Eminem deixa evidente a sua posição em relação à presidência de Donald Trump , como é exemplo a faixa com Alicia Keys, “Like Home”. A lista de produtores é composta por Rick Rubin, Dr. Dre, Skylar Grey, Mr. Porter, Just Blaze, Alex Da Kid, Hit Boy, Scram Jones, DJ Khalil e pelo próprio Eminem.

Embora o disco seja uma clara desilusão para a maioria dos ouvintes, Eminem continua apresentar-se como um dos maiores liricistas da actualidade e Revival, apesar de todos os defeitos, nesse aspeto é imaculado.

Podes ouvir o disco abaixo: