Quando as armas dos EUA vão parar aos terroristas

Se desconfias que o país do capitalismo anda a fornecer material bélico ao Estado Islâmico, parabéns, deste o palpite certo.

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A Reuters divulgou um estudo realizado pelo Conflict Armament Research (CAR), que afirma que as armas fornecidas pelos Estados Unidos e Arábia Saudita aos grupos de oposição síria, acabam muitas vezes no domínio do auto-denominado Estado Islâmico.

O Iraque é um ponto importante nas transacções de armamento – a maioria das armas passam por lá e ficam lá, como afirma o grupo de investigação no seu relatório de 200 páginas, disponível aqui. O mesmo Iraque que na semana passada declarou a vitória final sobre o Estado Islâmico, após a reconquista da quase totalidade do seu território.

Proezas do Estado Islâmico

A maioria das armas dos jihadistas são saqueadas aos exércitos sírio e iraquiano. Segundo a Reuters, o CAR documentou, pelo menos, 12 casos de armas compradas pelos Estados Unidos que acabaram nas mãos do Estado Islâmico, capturados no campo de batalha ou adquiridos através de alianças em mudança na oposição síria.
Outro exemplo das “proezas” do grupo terrorista está no facto de apenas em dois meses, em plena guerra no Iraque, os soldados jihadistas conseguirem apoderar-se de um míssil antitanque guiado, que os Estados Unidos compraram a um país europeu e que fora fornecido a um grupo de oposição sírio.

Corrupção Americana

O país do capitalismo, em busca de benefício próprio, está disposto a violar acordos estabelecidos previamente acerca do arsenal bélico.
Alguns dos armamentos do Estado Islâmico, foram inicialmente fornecidos por outros países, principalmente pelos Estados Unidos e a Arábia Saudita, aos grupos de oposição sírios que lutam contra o presidente Bashar al-Assad. Ainda relativamente aos 12 casos de armas compradas pela América que acabaram nas mãos dos jihadistas, todos esses materiais foram feitos em estados da União Europeia e, na maioria dos casos, os Estados Unidos quebraram cláusulas contratuais que proíbem as retransmissões ao entregar as armas a grupos armados na Síria.
“Evidências colectadas pelo CAR indicam que os Estados Unidos têm repetidamente desviado armas e munições fabricadas pela União Europeia para as forças da oposição no conflito sírio. As forças do Estado Islâmico ganharam rapidamente a custódia de quantidades significativas deste material”.

No documentário Dirty Wars, que fala sobre a corrupção americana nos países do Médio Oriente, ouvimos alguém confessar ao repórter Jeremy Scahill, que “a América conhece a guerra, eles são os mestres da guerra.”

Papel da China e da Rússia

No relatório é-nos revelado que cerca de 90% das armas e munições usadas pelo Estado Islâmico na Síria e no Iraque foram feitas na China, na Rússia e nos países da Europa Oriental, com os dois primeiros a representar mais de 50%. Estes dados comprovam que o Estado Islâmico saqueou grande parte dos armamentos dos exércitos sírio e iraquiano.
O armamento russo utilizado pelos jihadistas, nos conflitos na Síria é claramente superior ao chinês, afirmando o poderio da Rússia em territórios sírios, explica o CAR. Não nos esqueçamos de que a Rússia é aliada de Assad.

O Conflict Armament Research relatou no ano passado que o Estado Islâmico estava a construir as suas próprias armas em grande escala e alto nível de sofisticação combinando forças militares nacionais e tecnológicas, e ainda, que tinha a produção padronizada em todo o seu domínio.