Pela 42ª vez, Estados Unidos vetaram uma resolução na ONU sobre Israel

O texto não mencionava os Estados Unidos mas expressava o lamento pelas “decisões recentes sobre o status de Jerusalém”.

UN Photo/Kim Haughton
 
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As Nações Unidas reuniram esta segunda-feira para debater em plenário um projecto de resolução que visava rejeitar o recente anúncio de Donald Trump de Jerusalém como capital de Israel.

O documento, apresentado pelo Egipto, foi aprovado por todos os membros do conselho de segurança deste importante organismo global mas esbarrou no veto dos Estados Unidos.

O veto foi apresentado por Nikki Haley, embaixadora norte-americana na ONU, que fez questão de referir que este é o primeiro em 6 anos e que via a opinião contrária dos seus homólogos como um verdadeiro insulto à soberania americana.

O texto da proposta não fazia menções directas a Trump, nem aos Estados Unidos mas expressava o lamento pelas “decisões recentes sobre o status de Jerusalém”, considerava qualquer alteração ao carácter da Cidade Santa de Jerusalém como nula do ponto de vista legal e pedia a todos os países para que não iniciassem missões diplomáticas naquela cidade. Algo que a delegação americana classificou como uma ingerência na sua política.

Nikki Haley fez questão de dizer que este veto não foi um momento de alegria. Desde 2011 que os Estados Unidos não exerciam o seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, algo que já fizeram mais de 80 vezes, 40 das quais em matérias envolvendo Israel.

Recorde-se que dos 15 países do conselho de segurança das nações unidas apenas os 5 membros, China, França, Reino Unido, Rússia e Estados Unidos permanentes têm a possibilidade de vetar.

Riyad al-Maliki, ministro dos Negócios Estrangeiros palestiniano afirmou que vai convocar uma Assembleia Geral de Emergência tentando reunir os 193 membros em torno da decisão de Donald Trump. Encontros deste tipo só se realizaram por 10 vezes desde 1950; a última ocorreu em 2009 tendo como tema central as acções ilegais dos israelitas em territórios ocupados, nomeadamente na zona da Palestina.

Quanto aos vetos aplicados pela representação norte americana no órgão máximo responsável pela segurança e estabilidade militar podem ser consultados no site da própria ONU ou em diversos des estudos sobre a organização. Da análise emerge um padrão revelador da sua defesa tácita de acções ilegais do Estado Israelita.

Para mencionar alguns dos 42 exemplos possíveis nesta matéria, veja-se que os Estados Unidos votaram contra a resolução de 1990 que apelava à diminuição da violência na ocupação da Palestina, em 1995 contra a resolução que considerava ilegal uma anexação de 53 hectares da cidade de Jerusalém e em 2002 contra a resolução que pretendia sancionar o Estado de Israel por destruir um armazém do Programa Internacional de Ajuda Alimentetar, entre outras.

No ano passado, Barack Obama tinha protagonizado uma decisão histórica ao abster-se da votação de uma resolução sobre a ocupação indevida de Israel no território da Palestina aprovada por todos os restantes e que, sem o veto dos Estados Unidos, pôde ser consumada.

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