O Facebook faz-nos mal? Rede social parece estar numa crise existencial

Passar tempo nas redes sociais é mau para nós?

 

No Verão, o Facebook decidiu começar a responder por escrito a “perguntas difíceis”, procurando explicar, com a ajuda de investigadores e especialistas, a posição da empresa relativamente a temáticas sensíveis, como os discurso de ódio, a pegada deixada online depois da morte, o terrorismo, a utilização da internet por crianças ou a alegada influência russa nas eleições norte-americanas. Uma das últimas “perguntas difíceis” é uma espécie de dúvida existencial: passar tempo nas redes sociais é mau para nós?

No blogue, os autores do estudo, que são psicólogos e sociólogos do Facebook, dizem que as pessoas estão preocupadas com os efeitos das redes sociais nas suas relações e na sua saúde mental. Apontam que fazer scroll no Facebook e clicar cegamente no botão de gosto faz-nos sentir mal. “Em geral, quando as pessoas passam muito tempo a consumir informação passivamente – isto é, lendo mas não a interagindo com as pessoas –, dizem sentir-se pior depois”, escrevem os investigadores.

“Consumir passivamente” é a frase-chave aqui, nota o Quartz. A solução dos investigadores para este problema não é usar o Facebook menos, mas sim usá-lo mais e mais activamente. Em vez de apenas gostar das coisas e fazer scroll no feed, devemos enviar mensagens, deixar comentários e fazer mais publicações. “Um estudo que realizámos com Robert Kraut, da Universidade de Carnegie Mellon, descobriu que as pessoas que enviaram ou receberam mais mensagens, comentários e publicações na Timeline relataram melhorias no suporte social, depressão e solidão”, observam. “Os efeitos positivos foram ainda mais significativos quando as pessoas falaram com os seus amigos chegados online”, acrescentam.

O Facebook fala depois na importância de construir relações um-para-um, mais do que um local para simplesmente “transmitir” conteúdo a dezenas de pessoas ao mesmo tempo. No fundo, a rede social tem um bom impacto social se utilizada para conversar com as pessoas, criando relações com significado.

A empresa explica, por fim, como tem procurado tornar a sua plataforma mais propícia para este tipo de relações: diminuiu o conteúdo de má qualidade no News Feed, como o clickbait e as fake news, e destacou as publicações de amigos próximos; lançou ferramentas para prevenir suicídios e ajudar os amigos a ajudar quem esteja mal; e disponibilizou uma opção chamada “Take A Break” que esconde toda a actividade de um ex-parceiro. Uma das últimas iniciativas é a opção de Snooze, que permite silenciar pessoas, páginas e grupos no Facebook durante 30 dias.

Segundo refere o Quartz, que analisa muito bem este assunto, a acção do Facebook relativamente às “perguntas difíceis” que coloca é sempre a mesma: identificar um problema na sociedade; admitir que as pessoas pensam que a tecnologia e, em particular, o Facebook contribui para esse problema; e afirmar que mais Facebook (e não menos) é a solução para esse problema. Discurso de ódio? Solução: usar mais o Facebook para reportar o discurso de ódio. Crianças na internet? Solução: aplicações como o Messenger Kids. Facebook usado para influenciar politicamente os eleitores? Solução: usar o Facebook para construir comunidades digitais fortes.

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