Filipe VI, rei de Espanha, apela ao sentido democrático na Catalunha

O foco da intervenção de Felipe VI foi a coesão social indispensável ao progresso do país e ao bom enquadramento no projecto Europeu.

Rei de Espanha
 

Quatro dias depois das eleições na Catalunha que resultaram num reafirmar das maioria independentista na Generalitát, o Parlamento Catalão, as atenções de todo o mundo estavam no tradicional discurso de Natal do rei Filipe VI.

Depois de um final de ano altamente marcado por manifestações nas ruas, um referendo polémico e uma declaração unilateral de independência que resultou na prisão de uma série de membros do então Governo Catalão e, das recentes eleições marcadas pelo presidente do Governo Central ter dado maioria aos independentista, Felipe VI reforçou no seu discurso a vontade de união nacional.

O rei de Espanha, que já se tinha revelado contra os movimentos pela independência daquela região autónoma, voltou a salientar a importâcia que reconhece à unidade nacional.

Sem fazer menções directas a Puidgemont, líder do JxC que mesmo em asilo político viu o seu partido manter uma posição favorável nas eleições, ou a Oriol Junqueras, líder do ERC que completa o bloco maioritário e que se encontra preso, Felipe lembrou aos novos líderes da Catalunha a necessidade de enfrentar os problemas com pluralidade e sentido de responsabilidade.

Felipe tinha sido convidado pelo partido de Puidgemont, JxC, este sábado para que assumisse a mediação desta difícil questão mas com o discurso público sobre o tema, volta revelar o seu afastamento dos caminhos que podem levar a independência catalã, prolongando o impasse.

A postura acrítica de Felipe VI perante a acção violenta da polícia no referendo de dia 1 de Outubro – à data, Felipe criticou a atitude “desleal” dos movimentos pro-separação – e esta recente mensagem, são sinais de que dificilmente será o monarca o agilizador de uma solução democrática que agrade a todos.

O discurso de cerca de 12 minutos não se focou, logicamente, na questão Catalã. O foco da intervenção de Felipe VI foi a coesão social indispensável ao progresso do país e ao bom enquadramento no projecto Europeu reflecte o momento social espanhol.

Recorde-se que das eleições do passado dia 21 de Dezembro resultou uma pequena maioria parlamentar para a esquerda mas, também, uma histórica vitória para o partido Conservador de centro-direita, Ciudadanos, representado por Inés Arrimadas. O grande perdedor desse sufrágio foi mesmo o partido no poder central e responsável pela convocatória das eleições, o PP de Mariano Rajoy. Este sensível equilíbrio político é o pano de fundo para todas as dúvidas, apelos ao consenso e à responsabilidade para que sejam respeitadas de igual modo as vontades de todos os catalães.

Resultado Eleições Espanholas / The Guardian

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