As fronteiras humanas (e desumanas) em 6 mini-documentários

Muros não faltam pelo mundo fora, como mostra uma série de seis mini-documentários da publicação norte-americana Vox.

Foto de: Johnny Harris/Vox
 

Todos nós ouvimos falar do muro de Trump. A polémica fronteira física entre os Estados Unidos e o México que o novo Presidente norte-americano quer erguer para travar o fluxo de imigração ilegal para o seu país. Mas, infelizmente, muros não faltam pelo mundo fora, como mostra uma série de seis mini-documentários da publicação norte-americana Vox.

Vox Borders mostra as linhas que os Governos desenham para dividir países e pessoas. Cada fronteira tem uma história diferente, explica a Vox na introdução desta série documental. Se algumas podem incentivar o intercâmbio ou dar refúgio, outras podem fomentar a violência ou criminalizar os que ousam atravassá-la. “As fronteiras simbolizam as ansiedades de uma nação quanto ao mundo e, à medida que os líderes políticos regulam as linhas no mapa, haverá sempre histórias humanas à mercê dessas escolhas, lê-se.

São essas história humanas (e desumanas) que trata, precisamente, o Vox Borders. Seis mini-documentários que tratam seis fronteiras diferentes, incluindo o gigante e sofisticado muro que Espanha construiu em África para criar uma fronteira europeia com Marrocos e proteger Melilla, uma pequena cidade no norte do continente.

Milhares (milhões?) de migrantes tentam atravessar o muro espanhol, fugindo dos seus países, onde a guerra, a fome e a violência política não lhes dão as condições de vida que desejam. Querem chegar à União Europeia, mas, para serem bem sucedidos, têm de enfrentar a opressão das autoridades marroquinas e espanholas.

A Vox Borders conta também a história das desigualdades sociais entre o Haiti e a República Dominicana, das oportunidades económicas que o desgelo do Ártico acarreta para países como a Rússia, a bolha norte-coreana que vive no Japão, as montanhas que dividem os Nepal e a China e, claro, a questão norte-americana/mexicana.

A Vox diz ter trabalhou neste projecto, um dos mais ambiciosos”, entre Fevereiro e Novembro deste ano. O jornalista Johnny Harris recebeu cerca de 6 mil sugestões de histórias e visitou os 11 países documentados com a sua equipa e três câmaras. Dezenas de pessoas trabalharam na investigação, reportagem, criação de comunicação e produção adjacentes aos seis mini-documentários agora publicados.

“Sou obcessecado por mapas e fronteiras há décadas. Depois do secundário, vivi em Tijuana durante dois anos e acordava todos as manhãs com uma parede gigante a separar dois países. Isso teve um enorme impacto em mim e suscitou uma curiosidade genuína desde então sobre a forma como as pessoas se dividem”, escreve Johnny. “Por isso, quando apresentei esta série documental internacional, sabia que queria fazer isso em uma escala ambiciosa.”

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