Acabar com o glitter, pelo bem do ambiente (e da nossa saúde)

Ainda vamos a tempo de o evitar no Natal.

Decorações de natal: árvores de plástico, luzes sempre ligadas, bolas douradas e prateadas e aqueles pequenos efeitos brilhantes a que chamamos glitter. No meio de toda a parafernália de adereços de Natal – a que ainda podíamos somar uns quantos –, não era fácil prever que um dos mais nocivos e polémicos acabasse por ser o mais pequeno.

Mas assim é e quem o avisa é a Trisia Farrelly, uma antropologista ambiental, que com uma explicação simples e acessível a qualquer um nos lembra de uma série de consequências em que nunca pensámos: “o glitter devia ser banido porque é micro-plástico”.

Micro-plástico é a nome que se dá aos pedaços de plástico com menos de 5 mm de comprimento. Pelo seu tamanho, passam nos filtros de tratamento de água, acabando por poluir rios, lagos e oceanos, e são facilmente confundidos pelos animais, acabando por ser ingeridos. E se este pode parecer um problema menor os dados evidenciam o contrário.

Notícias recentes dão conta de que 80% da água do mundo inteiro possa estar contaminada com este tipo de material – tendo inclusive sido detectada a sua presença em água engarrafada vendida nos EUA. Estudos levado a cabo no Reino Unido mostram que 30% do pescado na região tem sinais de ter ingerido micro-plásticos, com os números a rondar muito perto dos 100 no caso dos mexilhões na zona da Bélgica.

Os glitters, concretamente, estão longe de ser a única fonte de poluição com micro-plásticos ou de ser a principal, mas há quem comece a luta por aí. Numa iniciativa inédita, uma creche no Reino Unido decidiu banir os glitters de todos os seus estabelecimentos. Esta não foi a única medida com que o centro se comprometeu mas foi a que teve mais impacto mediático, uma vez que na prática nos convida a questionar um hábito tão pouco necessário e que, pensando bem, tem um potencial nocivo directo para o ambiente com que podemos ter de lidar num futuro muito próximo.