O músico português que o Twitter levou até ao nº 1 do iTunes

Guilherme Tavares (ou Calmness) lançou o disco de estreia Lavender em Novembro e está a ganhar atenção com a ajuda do pássaro azul.

Guilherme Tavares tem 20 anos, desistiu da escola para se dedicar à música. Gravou e distribuiu um álbum praticamente sozinho e chegou ao número 1 no top do iTunes nacional no dia de lançamento. Fomos conhecer Calmness, um nome que os fãs da melancolia lo-fi devem deixar debaixo de olho.

Sempre quis fazer música, mas faltava-lhe a coragem. Até que de um período menos bom na sua vida, nasceu Calmness. “Decidi deixar os estudos e focar-me no que realmente me iria fazer feliz. (…) Comprei um programa de edição de música e comecei a aprender a produzir e a escrever músicas ao mesmo tempo.” Pouco tempo depois aprendeu como lançar música de forma independente e a partir daí nada o parou. Em Novembro lançou o seu primeiro disco, Lavender.

Composto por oito temas minimalistas, de curta duração, o disco cria ambientes melancólicos através de doces melodias ao piano e à guitarra. Em Calmness, as palavras “são o foco principal” e por vezes as letras são ditas em spoken word. “Não quero que fiquem esquecidas com o resto dos instrumentos ao se misturarem”, explica. Todo o trabalho segue a estética do lo-fi, ou seja, da baixa fidelidade.

“Quero ajudar as pessoas, quero que saibam que o que sentem é válido e que não estão sozinhas a passar pelo que quer que estejam a passar. Há quem diga que ouvir música assim quando se está em baixo só faz pior, mas para mim ajuda e faz-me sentir que os meus sentimentos são válidos e que há mais gente a passar pelo mesmo.”

Apesar de autodidata e assumido perfeccionista, contou com a ajuda de alguns amigos em Lavender. O músico Flatsound (de quem é fã) deu-lhe dicas via Twitter sobre como distribuir música online de forma independente, Pedro Menezes toca bateria em “Starting Over” e Flunkie oferece a voz para o final de “The Flowers Whisper Your Name”.

Se as letras reflectem um estado de espírito mais melancólico, as sonoridades têm inspirações bem distintas. A música de Stranger Things inspirou “Starting Over” e os sons 8-bit em “You Know What You Want Now” são influência do videojogo Earthbound. Sozinho no seu quarto, Calmness canaliza estas e outras inspirações e torna o processo de criação numa terapia. “Para mim a minha música foi terapêutica, ajudou-me a organizar e a processar o que estava a sentir ao escrever o álbum, e acho que isso se faz sentir para quem ouve.”

Não sabemos exactamente o que sentem, mas a verdade é que Calmness ganhou um pequeno mas já significativo público nas redes sociais. Prova disso foi o lugar máximo do pódio no top de vendas do iTunes português no dia de lançamento e os memes que circulam principalmente no Twitter em honra do disco Lavender. “Enche-me mesmo o coração ver isso. Esse tipo de apoio é excelente e é o que fez o meu álbum chegar onde está, já a caminho dos 20 mil streams no Spotify, coisa que eu nunca pensei alcançar tão cedo, principalmente sem qualquer publicidade paga.”

No futuro gostava de colaborar com Florist e Surma (“o que ela faz é mesmo único e deixa-nos completamente envolvidos na música dela, e Portugal está a precisar disso”). Por enquanto, vale a pena deixares-te levar pelo ambiente de Lavender, um disco perfeito para acompanhar os dias frios do Outono.

Texto de: Teresa Colaço
Editado por: Mário Rui André

Milhares de pessoas seguem o Shifter diariamente, apenas 50 apoiam o projecto directamente. Ajuda-nos a mudar esta estatística.