Então mas afinal há Brexit ou não? Os entraves e as dúvidas

Escócia, País de Gales e Londres querem ser incluídos num regime comercial diferente. Já Tony Blair está a trabalhar para um novo referendo.

Flickr/Duncan Hull

O encontro desta segunda-feira entre o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o negociador do Brexit, Michel Barnier e a primeira-ministra britânica, Theresa May, não resultou num acordo definitivo para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Ao fracasso das negociações, que se prolongam há meses, juntam-se mais recentemente os pedidos feitos pela Escócia, Londres e País de Gales para serem incluídos num regime especial que permita a sua permanência no mercado único.

O lema de que todas as nações do Reino Unido sairiam da UE como um todo, defendido pelo Governo britânico, parece não se poder materializar. “Se uma parte do Reino Unido pode manter um alinhamento regulatório com a UE e permanecer efectivamente no mercado único, então não há boas razões práticas para que os outros não possam”, declarou a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon.

À Escócia e a Londres, que votaram massivamente na permanência do Reino Único na União Europeia no referendo de 2016, junta-se também a voz do líder trabalhista do governo autónomo do País de Gales, Carwyn Jones, que considera que “não é aceitável que algumas partes do país tenham um tratamento mais favorável do que outras”.

No encontro de segunda-feira, o DUP (Partido Democrático Unionista) travou um acordo entre May e Juncker ao voltar a questão para as consequências de mexer na fronteira entre as duas Irlandas. A exigência de um regime especial para a Irlanda do Norte que permitisse à nação evitar os controlos alfandegários mantendo normas próximas dos actuais parceiros, feita pela líder do DUP, Arlene Foster, foi a razão pela qual outras nações exigiram também um estatuto comercial especial.

O regresso dos controlos alfandegários e policial à fronteira, praticamente imperceptível desde os acordos de paz assinados em 1998, ameaça desestabilizar a relação económica e política entre as duas Irlandas. Após Março de 2019, esta fronteira será a única divisão terrestre entre o Reino Unido e a UE.

Em entrevista à BBC 4, Tony Blair, antigo primeiro-ministro britânico pelo Partido Trabalhista, afirmou estar a criar condições que permitam realizar um segundo referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE. O político justifica a sua vontade ao dizer que “quando os factos se alteram, as pessoas também têm o direito de mudarem de opinião”.

Espera-se que Theresa May regresse a Bruxelas ainda esta semana a fim de por um ponto final à primeira fase de negociações para dar início ao Brexit.

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