Inés Arrimadas, a mulher que pode virar o jogo político na Catalunha

Inés Arrimadas é a protagonista improvável de uma corrida agitada pela liderança da Generalitat, na Catalunha.

Facebook/Inés Arrimadas

Chama-se Inés Arrimadas e tem um ar invulgarmente simpático tendo em conta o que nos habituámos a ver na política. Entrou na corrida às eleições na região autónoma da Catalunha depois dos imbróglios criados pelos movimentos independentistas e, ao que parece, está a conseguir roubar-lhes força.

Arrimadas, de apenas 36 anos, é o principal rosto do Ciudadanos na sua abordagem às eleições do próximo 21 de Dezembro, onde esperam garantir apoio suficiente à inviabilização do movimento independentista. A jovem política está há 7 anos no partido, liderando a oposição naquele estado e, muitos dizem, que foi a melhor criação de Albert Rivera, o porta-voz principal desta partido.

Publicamente já recebeu apoios de peso como o Nobel da Literatura, Mario Vargas Llosa ou do antigo primeiro ministro francês Manuel Valls e, no mais recente comício do partido, subiu ao palanque ao som de gritos de “presidenta”.

Arrimadas tem tido direito a destaque na imprensa internacional, muito atenta ao desenrolar da situação na Catalunha. As eleições marcadas por Mariano Rajoy e envoltas em polémica pela prisão de alguns candidatos representantes da força independentista ou o asilo de outros, ganharam assim nos últimos tempos mais um motivo de interesse.

Inés Arrimadas interessa pela heterogeniedade face ao sistema vigente mas também pela reviravolta que pode protagonizar. Tem subido a cada nova sondagem colocando o Ciudadanos à frente da ERC de Oriol Junqueras – um dos candidatos presos – a 4 dias das eleições.

Arrimadas representa o Centro Direita Espanhol mas recusa qualquer colagem aos ideiais soberanistas conservadores, arrematando que quem rouba não são os “vizinhos espanhóis” mas sim “os corruptos”. É fã confessa de Emmanuel Macron e habitualmente elogiada pela sua eloquência e pragmatismo no discurso.

Apesar do seu discurso que frequentemente se afasta tanto da Direita como da Esquerda, e do seu foco na mensagem anti-corrupção, a marcar o histórico do Ciudadanos está a viabilização do Governo de Rajoy, do PP, um partido com inúmeros membros envonvildos em esquemas de corrupção.

Em caso de vitória, Inés Arrimadas já prometeu que dedicará os primeiros 100 dias do mandato a trabalhar a coesão social e retorno das empresas que abandonaram o solo catalão. Outra das propostas é realocar os fundos destinados à publicidade independentista para sistemas  de saúde e outros serviços sociais.

Arrimadas, que não é catalã mas sim andaluza, remata a sua mensagem de campanha dizendo qualquer coisa como “quem nos pôs nesta confusão não é quem nos vai tirar” e abdicando de discursos muito radicais ou inflamados, apostando tudo numa mensagem de conciliação adianta mesmo os passos seguintes da sua política onde por exemplo o ensino do Inglês ganharia um papel de destaque.

Nas sondagens, o Cidadãos (direita liberal e constitucionalista) surge como o partido com maiores intenções de voto (23-25%) seguido pela Esquerda Republicana da Catalunha (20-23%) o que a 2 dias das eleições mantém a total incógnita sobre o desfecho. O cenário mais provável, à luz dos últimos números, dá o bloco independentista como vencedor das eleições mas sem maioria parlamentar que lhes permita fazer avançar o processo.