Morreu Ivan Chermayeff, um dos pioneiros da identidade gráfica moderna

Em Lisboa, o trabalho de Chermayeff pode ser visto em grande escala no mural em azulejo que desenhou para a parede exterior do Oceanário, no Parque das Nações.

Ivan Chermayeff, designer gráfico norte-americano, morreu no passado Sábado, aos 85 anos. Chermayeff, juntamente com o seu parceiro de 60 anos Tom Geismar, garantiu um lugar no cânone do design pelo seu trabalho em mais de 100 projectos de identidade gráfica de grandes empresas, instituições culturais e governamentais que, como disse Michael Bierut no Twitter, «definiram cinco décadas do design gráfico americano».
Chermayeff nasceu em 1932 em Londres. Aos oito anos mudou-se para os Estados Unidos. Estudou em Harvard, no Institute of Design de Chicago e em Yale sob Paul Rand. Foi aprendiz de Alvin Lustig e desenhou capas de discos para a CBS antes de fundar a sua própria firma em 1957 com Tom Geismar e Robert Brownjohn. São seus os designs para marcas como a Pan Am, o MoMA, o Smithsonian ou a Showtime.
Tom Geismar e Sagi Hadid, parceiros de Chermayeff na firma Chermayeff & Geismar & Haviv, relembram a importância do trabalho do designer: «O Ivan era um designer e ilustrador brilhante, com um estilo pessoal vibrante que trespassava alegria, inteligência e génio», disse Geismar. «Durante mais de 60 anos eu e o Ivan usufruímos de uma parceria à qual cada um trazia talentos complementares, numa aliança cimentada por valores comuns e respeito mútuo. A contribuição do Ivan para o campo do design permanecerá inultrapassável.»
«O Ivan é um ícone do design, mas foi também um mentor, um parceiro e um amigo», disse Sagi Haviv. «Era obcecado com bom design. E bom para o Ivan queria dizer excelente tudo o que fosse menos que excelente nem sequer era design. A sua incessante busca pelo equilíbrio perfeito entre forma e ideia é a maior inspiração que alguém pode esperar e será o seu duradouro legado à indústria e às pessoas que o conheciam».
Em Lisboa, o trabalho de Chermayeff pode ser visto em grande escala no mural em azulejo que desenhou para a parede exterior do Oceanário, no Parque das Nações, onde um conjunto complexo de padrões ganha sentido visto ao longe, na forma de figuras marinhas.
Paralelamente ao seu trabalho enquanto designer, Ivan Chermayeff alimentou também a paixão pela colagem, técnica que aplicou muitas vezes à representação da face humana.
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