Se queres saber a verdade sobre Israel, não procures no Google

Experimenta pesquisar Jerusalém e vê como a Internet permite o crescimento de tendências enganadoras e a expansão rápida de bolhas ideológicas.

Qual é a capital do Burkina Faso? Se sabes, esquece, esta pergunta não é para ti. Se a primeira coisa que fizeste foi ir ao Google, cuidado, a resposta que ele te deu pode não ser a correcta – isto é, a mundial e institucionalmente aceite. E é sobre isso que precisamos de falar mas aplicado a Jerusalém.

Cada vez mais delegamos a nossa capacidade de encontrar novas informações na internet. A acessibilidade e facilidade em chegarmos até aos motores de busca e a partir daí pesquisarmos sobre o que quisermos, dá-nos a sensação de termos à nossa disposição um manancial de informação tendencialmente infinito, mas nada nos garante que seja objectivamente isenta.  A mediação feita por algoritmos elimina o factor de verificação humano e, mesmo em casos em que o humano intervém, há a probabilidade da sua percepção pessoal mexer com o primeiro impacto de muita gente.

O caso paradigmático, e que nos motivou a escrita deste artigo, tem a ver com a mais recente decisão isolacionista de Donald Trump que declarou – com apoio de apenas outro 6 países das Nações Unidas – Jerusalém como capital de Israel.

Se a decisão só por si, tomada pelo presidente dos Estados Unidos da América, já tem alcance suficiente para se tornar polémica e motivar uma série de reacções explosivas, o problema agrava-se quando as grandes tecnológicas de comunicação nada fazem para suster o surto, propagando como factos globais, opiniões ou pareceres apenas de um ou outro estado.

Experimenta pesquisar Jerusalém no Google e a evidência emergirá com o desígnio “Capital de Israel”. Podemos rapidamente justificar o resultado com a ligação das páginas da Google à Wikipedia, de qualquer forma, esta desresponsabilização não se pode de modo algum coadunar com os lucros astronómicos que essas mesmas pesquisas geram.

Os utilizadores pesquisam, convictos de que vão encontrar algo tendencialmente verdadeiro, ou pelo menos, universalmente aceite. Em vez disso, a falta de cuidado da Google permite o crescimento de tendências enganadoras e a expansão rápida de bolhas ideológicas.

Atendendo à importância do assunto no equilíbrio social da região e um pouco por todo o mundo, não teria a tecnológica que redobrar o seu cuidado na hora de sistematizar os pseudo-factos? E aqui podemos mesmo falar de uma questão de design. A forma como os resultados são apresentados, em caixas monolíticas antes da imensidão de links, deviam requer da parte da Google uma vigilância mais apertada e a contemplação destes casos em que as perspectivas divergem.

O Google torna-se assim câmara de eco de uma posição enviesada: a posição do governo norte-americano à qual se opõem as deliberações das Nações Unidos, bem como as de alguns dos estados mais credíveis do mundo como o Reino Unido, França, Alemanha.