O mapa-mundo dos freelancers e das suas especialidades

O Online Labour Index é um mapa que mostra o tipo de trabalho freelance mais proeminente em cada país.

A internet, as start-ups e os coworks são exemplos materiais e quotidianos de como o mercado de trabalho está a evoluir e sobretudo a deslocalizar-se. Todos temos um amigo que trabalha ou já trabalhou a partir de casa, ou simplesmente da sua terra natal, para outra parte do mundo; e essa realidade tende a ser cada vez mais frequente.

Empresas de renome, como o Trello, gabam-se de conseguir gerir todo o seu fluxo de trabalho em ambiente remoto e, neste caso, os trabalhadores agradecem a globalização de algumas oportunidades. Noutros casos é a busca pelo preço mais baixo que conduz o cliente a apostar em economias emergentes, onde o trabalho é muito menos valioso e os preços por hora são muitos mais baixos que potenciam esses números.

Numa tentativa de perceber este novo mercado de trabalho e localizar as principais valências dos novos trabalhadores da economia digital, Vili Lehdonvirta – um dos homens que já foi chamado de Satoshi Nakamoto – criou com a sua equipa de trabalho na Universidade de Oxford, o Online Labour Index, um mapa-mundo que mostra o tipo de trabalho freelance mais proeminente em cada país.

O mapa foi desenhado com dados recolhidos entre 1 e 6 de Julho de 2017, de quatro dos principais websites de contratação de freelancers – Fiverr, Freelancer, Guru, and PeoplePerHour – e permite, por inferência, perceber as áreas em que cada país mais contribuí para  a economia virtual.

Alguns dos resultados não surpreendem mas a perspectiva global não deixa de ser elucidativa. A maioria dos trabalhadores freelance (24%) são provenientes da Índia, seguindo-se logo após o Bangladesh (16%), facto que atesta a ideia de procura por mão-de-obra mais barata. Na tabela também figuram alguns países desenvolvidos e sinal do outro lado desta evolução, como os Estados Unidos ou o Reino Unido.

Quanto ao panorama europeu e segundo notam as conclusões do estudo, é possível observar um certo padrão na distribuição das diferentes competências. Escrita e tradução são os pontos mais presentes nos países do sul europeu (França, Itália, Espanha e Portugal), enquanto que a Norte se destaca a criatividade, a produção multimédia e as vendas. Na zona Leste, a cor rosa, indica a especialização em desenvolvimento de software e tecnologia.

Apesar de o estudo central ter sido feito com base no intervalo de dados anteriormente mencionado, uma versão interactiva do mapa está permanentemente disponível e em actualização com a informação referente aos últimos 7 dias.

O peso deste mercado é notório e crescente pelo que a exigência dos estudos tem de ser cada vez superior. Só no último ano, a chamada Online Gig Economy cresceu 26%, algo que naturalmente atrai a atenção de estudiosos na área do digital e da economia na tentativa de optimizar os modelos de globalização e colaboração.