Martin Schulz quer Estados Unidos da Europa até 2025

Martin Schulz, atual líder do SPD alemão e antigo presidente do Parlamento Europeu, revelou recentemente a sua crença no estabelecimento dos Estados Unidos da Europa até daqui a 8 anos

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Esboçado por estadistas experientes, a comunidade europeia nasceu assente num sonho comunitário, em que a integração e partilha de soberania se iria fazer de forma faseada. O sonho materializou-se, e a ambição dos políticos europeus trouxe-nos os sucessivos alargamentos a uma família europeia, a um espaço de livre circulação, a uma moeda única e a milhares de políticas comuns, desde estratégia económica a administração ambiental.

Estudar o projeto europeu é compreender este sonho real, e ao mesmo tempo perceber a ambição máxima que os pais fundadores queriam conceber. Integração total, federalismo e cedência de soberania a níveis nunca vistos são as premissas que fariam brilhar os olhos de quem construiu este pedaço de paz que tanto nos orgulha.

Martin Schulz, atual líder do SPD alemão e antigo presidente do Parlamento Europeu, revelou recentemente a sua crença no estabelecimento dos Estados Unidos da Europa até daqui a 8 anos. Esta ideia marcante de Schulz surge no discurso do congresso do SPD realizado esta semana e poderá marcar um novo, mas recorrente ciclo político na Alemanha.

Depois das negociações falhadas da CDU de Merkel com os liberais e os verdes em formar governo, Martin Schulz pediu autorização ao partido para iniciar negociações de poder com Merkel. Não existindo ainda a certeza se o SPD entrará no governo da CDU, ou se apenas o apoiará de forma parlamentar, certo é que o executivo alemão deve voltar a ficar a cargo dos dois maiores partidos do país.

Nesta posição de vantagem política, Schulz aproveitou para lançar algumas críticas ao executivo de Merkel, mas também para expôr as suas ideias, especialmente ambiciosas em matéria europeia. Assente num pensamento federalista, o político alemão quer unidade dos estados-membros com benefícios mútuos para todos, a funcionar como um único corpo. Segundo as palavras deste, quem não retificar esta nova convenção terá de abandonar a União, deixando seguir os outros para este novo caminho.

Este pensamento vem em contra-ciclo com o pensamento atual na União Europeia. Em plenas negociações do Brexit, são vários os estados-membros em que existe uma força contra UE, a ambicionar um resgate da soberania entretanto partilhada. Se antes estas forças estavam fora do sistema político, hoje manifestam-se de forma estruturada e partidária, podendo mais facilmente chegar ao poder executivo dos países.

É conhecido o poder que a Alemanha de Merkel tem na UE e a doutrina de pensamento que a chanceler tem para o espaço europeu. Se está disposta a acolher esta ideia embrionária do seu provável parceiro de governo é outra conversa mais profunda.